Durante nossa estadia em São Paulo para o Metering Latin America aproveitamos para visitar alguns bons restaurantes da capital paulista. Um que vale citar é o Kaá, com seus jardins verticais que dão um toque original ao restarante. Ótimo atendimento, pratos deliciosos e uma vasta carta de vinhos...


DOC italiano da região de Montepulcino. 



DOC que indica em seu rótulo ser forte e de personalidade, e após a degustação verificamos que é. Com 14% de álcool é adstringente mas sem "fechar" na boca, muito interessante para acompanhar pratos fortes.

Endereço: Av. Presidente Juscelino Kubitschek 279, Vila Olímpia. São Paulo-SP.

Máquina de refil de vinho começa a invadir supermercados da França

Invento foi criado em 2008 por francesa que queria unir sua paixão por vinho com sustentabilidade





A francesa Astrid Terzian resolveu juntar uma de suas paixões com sua preocupação com o ambiente para criar o conceito da máquina de refil de vinhos. Ela deu início a essa ideia em 2008, quando desistiu de seu sonho de comprar uma vinícola para partir para as vendas do produto. 

Sua primeira máquina foi instalada em junho de 2009, na cidade de Dunquerque, na França. Agora, diversos supermercados franceses já possuem o equipamento. Basta trazer sua garrafa – seja ela de vidro, plástico ou até um cantil – e encher. Sem necessitar de embalagem, o produto fica mais barato: o preço para o consumidor final é de 1,45 euros por litro. Sem falar que o meio ambiente agradece o reaproveitamento dos recipientes. Os vinhos disponibilizados nas máquinas têm procedência variada. 


Extraído de Pequenas Empresas Grandes Negócios >>


Chateau Haut Maginet. Região de Bordeaux na França. Safra 2007





Um vinho simples e estruturado europeu, basicamente um vinho de mesa. Características marcantes de estocagem por muito tempo, certamente por esta razão suas sutilezas se dissipam e exista a proximidade de sabor de "terra". Baixo teor alcóolico, 12,5%. Indicado para acompanhar pães, salames e queijos em um lanche rotineiro europeu, nada mais. R$ 24,90 no Angeloni da Beira Mar em Floripa.

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Berço do Infante, vinho tinto da região de Estremadura.



Vinho típico de Portugal, uvas tintas. Apenas para constar no registro do Blog. 13% de álcool, safra de 2006.

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Glamour é bom, mas o vinho é feito para ganhar dinheiro, diz o enólogo mais globalizado do planeta. Para ele, é possível fazer vinhos decentes em qualquer lugar, inclusive no Nordeste.


O enólogo francês Michel Rolland é um dos consultores mais globalizados do mundo. Vinícolas de 14 países o contratam a peso de ouro para produzir vinhos cada vez melhores e ganhar o crescente mercado internacional da bebida, que movimentou US$ 107 bilhões em 2005. Seus conselhos já ajudaram a ampliar o negócio no Novo Mundo, em países como Estados Unidos, Brasil, Argentina, Chile e África do Sul; e no Velho Mundo, incluindo França, Itália, Portugal e Espanha. Até a Índia o chamou. Para ele, é possível produzir vinhos de qualidade em qualquer lugar, desde que sejam feitos os investimentos corretos, da plantação à vinificação. "Estou pronto para ir à Lua", brinca. Ao contrário do arrogante francês retratado no filme Mondovino, em 2004, Rolland é simples e bemhumorado. E detesta quem faz o estilo "enochato". Ele esteve no Brasil em meados de julho para lançar cinco vinhos superpremium da Miolo Wine Group - seu cliente há três anos -, dentre eles o Lote 43 safra 2004 e o Merlot Terroir safra 2005. Para Rolland, esses vinhos nacionais estão melhorando ano após ano, mas ainda é cedo para apresentá- los ao poderoso crítico americano Robert Parker, de quem é amigo. "Quem sabe, em dois anos", disse à DINHEIRO.

"O Vale do São Francisco pode produzir vinhos bons e baratos"


"Um bom vinho é aquele que você gosta, não o que o Parker gosta"


Segue a entrevista da revista IstoÉdinheiro com Rolland:

DINHEIRO - Como é trabalhar simultaneamente em ambientes tão diferentes, com terrenos tão distintos? 
ROLLAND -
 É fantástico. Sou um enólogo simples de Pomerol, em Bordeaux. Depois de trabalhar dez anos, comecei a achar tudo muito parecido. E não tinha a paixão suficiente para ficar 30 anos num mesmo lugar. Tive a chance de trabalhar fora da França. Pela primeira vez, nos Estados Unidos, na Califórnia. Não sei por que, mas depois disso comecei a ser chamado. Argentina, Espanha, Itália. É como uma espiral, não tem fim. Recentemente, me chamaram para ir à Índia. Pensei: mas que clima horrível para vinhedos! Mas fui por curiosidade. É formidável poder ver tantas pessoas de diferentes culturas fazendo vinho em lugares tão distintos no mundo. Estou pronto para ir à Lua, se alguém quiser plantar vinhedos por lá.
DINHEIRO - O Brasil já faz vinho até no Vale do São Francisco. Vale a pena? 
ROLLAND -
 O Vale do São Francisco é como a Índia, não há descanso para os vinhedos. Não acho que podemos produzir o melhor vinho do mundo num lugar como este, mas certamente podemos produzir vinhos decentes, ou mais do que decentes. É um bom lugar para produzir vinhos não muito caros. Pode-se produzir duas vezes por ano, logo, é um bom lugar para se fazer negócios. E o vinho, na verdade, é um negócio. Não podemos esquecer disso. Às vezes falamos de maneira muito poética sobre o vinho, mas no final todo mundo está atrás de negócios. Não conheço ninguém que faça vinho para beber pessoalmente. Todo mundo faz para vender.
DINHEIRO - Precisamos de vinhos ordinários?
ROLLAND - 
Não. Há muitos vinhos de má qualidade. Não acho que o vinho ordinário esteja fadado a desaparecer, sempre haverá pessoas dispostas a bebê-lo. Os muito ruins, feitos com uvas não-viníferas, como a Isabel, deveriam desaparecer. É o que fiz na Argentina há 20 anos. Eles faziam vinhos terríveis. Um bom vinho não é necessariamente um vinho caro. Podemos fazer bons e baratos. É meu objetivo. O consumo no mundo caiu porque todos os países estavam fazendo vinhos ruins. Agora, o consumo está estável ou crescendo. Nos Estados Unidos, para me divertir, compro vinhos de US$ 2,5 no supermercado para provar. Dez garrafas de cada vez. É impressionante a porcentagem deles que são bebíveis.
DINHEIRO - O crescimento do negócio global de vinhos é sustentável? Ou haverá superprodução nos próximos anos? 
ROLLAND - 
Estamos no limite da superprodução. Felizmente, o mercado mundial está crescendo. O consumo não cresce nos países mais antigos, como França, Itália e Espanha, mas mesmo assim bebemos bastante. Na França, o consumo é de 57 litros por ano per capita. Imagine se o planeta bebesse 57 litros por pessoa! Em países como Índia, China, Estados Unidos e Brasil, o consumo médio está crescendo. O mercado de vinhos continuará sendo bom nos próximos 20 anos. Poderemos ter problemas de produção, mas não de superprodução. Na França, há excesso de vinhos. Estamos arrancando as vinhas. Na Itália acontece o mesmo. Talvez possa aparecer uma doença, como a philoxera (que devastou vinhedos na Europa). O clima pode mudar. Fala-se muito sobre o aquecimento global.
DINHEIRO - O sr. sentiu algum efeito do aquecimento global em alguns dos 14 países nos quais trabalha? 
ROLLAND -
 Neste momento, é difícil determinar se este ou aquele problema é causado pelo aquecimento global. O que podemos ver em todo o mundo é que o clima não é estável como era antes em certos lugares. Na França, houve recordes de temperatura nos últimos cinco anos. Quando o sol aparece, vem mais forte. A chuva, mais pesada e a geada, mais agressiva. Na Califórnia, chove como nunca. Em Portugal, em 2006 e 2005, as secas foram as mais fortes da história. Na Argentina, outro dia nevou pela primeira vez em 80 anos.
DINHEIRO - A mudança climática pode ser ruim, mas também pode ser boa? 
ROLLAND -
 Certamente. Bordeaux tinha a tradição de usar açúcar para aumentar o teor alcoólico do vinho. Não fizemos isso nos últimos nove anos. Não foi ruim.
DINHEIRO - O que há de ruim no mercado?
ROLLAND -
 A distribuição está ficando muito concentrada. Grandes grupos, como o Constellation e o Southern Wine & Spirits, são monstros. Como podem distribuir os vinhos que querem, podem matar alguns produtores e até países. Não é bom para um vinho estar em um portfólio gigante. A SWS tem dez mil vinhos no catálogo, é impossível para um vendedor falar de dez mil vinhos. É uma escolha cega para o cliente.
DINHEIRO - Quais foram seus conselhos para a Miolo?
ROLLAND - 
Sempre trabalho a convite. Quando a Miolo me chamou, a decisão de ter um consultor externo já estava tomada. O (enólogo) Adriano Miolo já sabia que teria de mudar. Assim, 80% do trabalho estava feito. Quando a pessoa está convencida a mudar sua maneira de pensar, seus hábitos e tradições, o trabalho principal está feito. Só orientei as mudanças necessárias.
DINHEIRO - E quais foram elas? 
ROLLAND -
 O principal problema no Vale dos Vinhedos era o vinhedo, que não estava adaptado ao clima. Em vez do sistema de latada (como um varal), seria melhor o de espaldeira (em fileiras). Não resta um único vinhedo da Miolo plantado no sistema tradicional. Hoje, eles obtêm mais maturidade e controlam melhor as doenças. Logo, têm mais chances de colher uvas melhores. Sempre digo que não há bons enólogos, mas somente boas uvas. Um bom enólogo pode fazer um vinho ruim com uvas boas, mas nunca um vinho bom com uvas ruins. É o começo de tudo. Há outras mudanças grandes, como o uso da gravidade na vinícola, a redução da produção.
DINHEIRO - O vinho da Miolo melhora a cada ano. Podemos sonhar com um grande vinho brasileiro? 
ROLLAND - 
Nosso gol é fazer melhor. Isso nós conseguimos. Após três colheitas, ainda não sabemos qual é o limite do terroir no Brasil. Precisamos melhorar a cada ano. São regiões diferentes - a Campanha não é igual ao Vale dos Vinhedos, ao Vale do São Francisco - e, em cada lugar, temos que anotar onde dá para melhorar. Sempre há um limite. Podemos fazer bons vinhos em qualquer lugar, mas não podemos sonhar em fazer grandes vinhos em qualquer lugar. Talvez haja lugares melhores no Brasil. A uva Merlot está indo bem. Mas as videiras são novas e os grandes vinhos precisam de videiras mais maduras. Quem sabe, no futuro, ficarão melhores. Já reduzimos a produção, mas talvez ainda não o suficiente para fazer o melhor vinho possível.
DINHEIRO - O Brasil produz um bom espumante. Esta não seria sua melhor vocação, em vez de insistir nos vinhos tintos?
ROLLAND -
 Sim, mas parcialmente. Os espumantes podem ser bem-sucedidos porque as uvas são colhidas muito antes de amadurecer e antes da chuva. O mau tempo não atrapalha. Mas, por outro lado, o vinho espumante é um sucesso em quase todos os lugares. Fazendo a viticultura correta num local particular, pode-se obter boas uvas, como a Merlot.
DINHEIRO - A Merlot é a melhor uva para os tintos no Brasil, como a Malbec é na Argentina? 
ROLLAND -
 É uma boa aposta.
DINHEIRO - Quando elabora um vinho, o que valoriza mais? Seu gosto pessoal ou o do mercado? 
ROLLAND - 
Temos que saber qual é o mercado-alvo. Sabemos o que as pessoas gostam. Não há muitos degustadores bons no mundo, mas há muitos bebedores. E um vinho ruim nunca se dá bem no mercado. Um bom vinho, sempre. Não podemos sonhar alto quanto produzimos vinhos de dois a cinco dólares por garrafa. Fazer bom vinho é caro.
DINHEIRO - É verdade que os consumidores americanos só gostam dos vinhos que o crítico Robert Parker gosta? 
ROLLAND - 
É verdade até certo nível, mas não no consumo em geral. O pobre coitado do Parker degusta muitos vinhos, mas não tem tempo suficiente para provar todos os que chegam ao mercado. Ele é muito influente nos vinhos top, mas não é referência para os que custam 15 dólares ou menos.
DINHEIRO - Essa influência muda a maneira como os vinhos top são feitos?
ROLLAND -
 Acho que não. Em Bordeaux, o Château Lafite não muda, o Cheval Blanc também não. O Lafite é o melhor vinho que podemos encontrar no mundo.
DINHEIRO - Quando o sr. vai levar um vinho brasileiro para ele degustar?
ROLLAND - 
Ainda não estamos prontos. Quem sabe, em dois anos. O Parker é muito esperto. Se eu aparecer com uma garrafa, ele vai provar porque é educado e um bom amigo. Mas isso não é suficiente para dar uma nota, mesmo que goste. Precisamos fazer bons vinhos, repetir e ter mercado lá. Ele escreve para os consumidores. Depois de três bons anos, se tivermos uma boa penetração no EUA, poderemos perguntar a ele.
DINHEIRO - Qual o gosto de um vinho indiano?
ROLLAND - 
O gosto típico de uma região ensolarada. A mistura na Índia é de Cabernet Sauvignon e Shiraz, o vinho é muito frutado e tem uma acidez um pouco baixa.
DINHEIRO - Há pessoas que acham que só podem ser felizes com vinhos muito caros. 
ROLLAND -
 Isso não é verdade. Há vinhos muito bons por preços mais baixos. Podemos achar bons produtos em qualquer faixa de preço. Claro que os melhores vinhos não custam R$ 10, mas, se você quiser um bom vinho de R$ 10, vai encontrar.
DINHEIRO - O que é um bom vinho? 
ROLLAND -
 É aquele que você gosta no momento em que está bebendo. Não precisa beber sempre caro nem sempre barato. Com amigos ou fazendo um piquenique, você pode saborear um vinho simples, bem feito, e ter prazer. Um bom vinho é o que você gosta e não o que o Parker gosta. Se você gosta de vinhos ruins, o problema é seu (risos).
DINHEIRO - Não há muita frescura na degustação de vinhos? 
ROLLAND -
 Sim. Não gosto disso. Sou mais simples quando bebo. Nunca fico descrevendo os vinhos. O que gosto é um sabor global, um aroma bom, uma harmonia. Às vezes a gente pensa demais. O vinho é para ser bebido, só isso.
DINHEIRO - Qual foi o melhor vinho que já bebeu? 
ROLLAND -
 Um Cheval Blanc de 1947.


Por MILTON GAMEZ
Extraído de IstoÉdinheiro >>

Nº EDIÇÃO: 515 | 08.AGO - 10:00

Pinot Noir, safra 2008. Degustado na Lectron, nosso amigo Heraldo trouxe para uma degustação no happy hour do escritório.




Excelente vinho tinto: personalidade marcante, ideal para uma degustação. O problema é que você será tentado a continuar degustando, transformando assim o evento em um Combate de Alto Nível. Suave, ideal para acompanhar um peixe forte, para os que gostam ou se atrevem a degustam tintos com frutos do mar. R$ 150,00 a garrafa.


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Ontem, um Domingo de serração em Florianópolis, preparei duas carnes fortes: bifes de maminha e contra-filets. Ambos na chapa. Para degustar, nosso primo Adriano e a Zana, proprietários do Café Dom Joaquim trouxeram uma novidade: um Carbenet Sauvignon da Serra Gaúcha que eles irão comercializar.




Gran Legado, Carbenet Sauvignon, safra 2009.





Ideal para carnes vermelhas fortes, deve ser harmonizado refrigerado ao redor de 17oC. Caso contrário a sensação é de intensa adstringência. Teor alcóolico de 12,5%.

Detalhe: os bifes de maminha foram preparados apenas com sal e servidos mal-passados. Os contra-filets marinaram por 3 horas em um molho experimental composto por cerveja, shoyu, sal, alho amassado, pimenta do reino, mostarda amarela e fatias de cebola. Antes do preparo dos bifes, as fatias de cebola foram grelhadas em frigideira e todo o restante do molho "cozido" posteriormente. O molho foi então separado e servido a parte. Os bifes preparados em outra chapa. Mais detalhes? Basta perguntar!

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Quem são as famílias que produzem de forma independente algumas das marcas mais célebres do mundo


Desde 3.500 antes de Cristo, quando foram produzidos os primeiros jarros de vinho nas montanhas de Zagros, no oeste do Irã, o cultivo de vinhas tem sido uma atividade eminentemente familiar. Foi apenas recentemente, na década de 90, que as grandes companhias internacionais passaram a estender os seus tentáculos sobre esse velho ramo de negócio. Em um movimento típico, a marca Louis Vuitton adquiriu os champanhes Moët et Chandon, Veuve Clicquot e Krug, além de arrebatar em 1999 o lendário Château d’Yquem. Com o intuito de deter essa tendência de concentração e eliminação dos produtores tradicionais, foi criada a Primum Familiae Vini, uma associação de vinicultores familiares com raízes de até 13 gerações. Os nomes de seus integrantes – Château Mouton Rothschild, Marchesi Antinori, Campagner Paul Roger, Symington Ports, Miguel Torres, Robert Mondavi Winery – são sinônimo de requinte e tradição. Dias atrás, durante a Primeira Feira de Vinho de Milão, esse clã da elite vinícola fez sua primeira grande aparição pública. Além de montar um estande próprio na Feira, a associação, que já tem 10 anos, promoveu uma rara e notável prova de vinhos, tratada pelos especialistas italianos como a degustação do século. “O que estamos bebendo não é vinho, é poesia líquida”, entusiasmou-se o enólogo brasileiro Renato Frascino. Outro brasileiro, Sérgio da Silva Castro, diretor do Pão de Açúcar, também estava espantado com a qualidade e a história dos 22 vinhos oferecidos pela associação. “Esta é uma ocasião única”, disse ele. O evento contribuiu para projetar o nome e o prestígio das marcas familiares, objetivo final da associação. “Queremos ajudar uns aos outros a continuar como empresas independentes”, explicou à DINHEIRO a jovem Alessia Antinori, filha do Marquês de Antinori e presidente da associação, conhecida como PFV no período 2003-2004. “Acreditamos que o nosso vinho vai carregado de valores e sentimentos que são transmitidos apenas de pai para filho, como a terra e o sangue.”

FRASCINO NA DEGUSTAÇÃO DO SÉCULO: “Isto não é vinho, é poesia” 
Ainda que essa conversa sobre valores, terra e sangue soe antiga e reacionária, a qualidade dos vinhos representada na PFV absolve seus integrantes de culpa. A família Antinori, por exemplo, tem sob o seu guarda-chuva vinhos como Solaia, Tignanello, Prunoto e Villa di Antinori, reverenciados em suas categorias como dos melhores do mundo. A filha do marquês gosta de lembrar que seus antepassados entraram no ramo em 1385, há 27 gerações, quando Giovanni di Piero Antinori registrou-se na guilda de Florença como produtor de vinho. Mais recentemente, coube aos Antinori romper com a tradição da região de Chianti e produzir os primeiros vinhos toscanos com uvas de origem francesa, que explodiram no mercado americano como os supertoscanos. Hoje, a companhia produz 15 milhões de garrafas de vinho por ano, com um faturamento de 120 milhões de euros. É uma gigante. Na mesma categoria enquadra-se a família Torres, espanhola. Seus vinhedos na região de Penedès, na Catalunha, datam do século 17, quando holandeses e britânicos, por problemas políticos, passaram a buscar na Espanha alternativas aos vinhos franceses da região de Bordeaux. Nesses três séculos o negócio da família resistiu à mudança de gosto dos consumidores e até mesmo ao bombardeio de seus vinhedos durante a Guerra Civil Espanhola. Naquela ocasião, final da década de 30, Miguel Torres Carbó e sua mulher, Margarita, tiveram de levar seus vinhos nos braços e oferecê-los de porta em porta nos restaurantes. Hoje em dia a quinta geração dos Torres administra uma marca presente em 157 países. “Para nós isso é muito mais do que um negócio. É a nossa vida”, disse à DINHEIRO o patriarca Juan Torres.


CASTRO, DO PÃO DE AÇÚCAR: Espanto com o sabor de vinhos únicos 
Ainda que espanhóis e italianos sejam protagonistas relevantes na história do vinho, é na França que se encontra o epicentro do mundo das grandes marcas. Além dos Rothschild, que entraram no ramo em 1853, quando o Barão Nataniel comprou os vinhedos de Brane-Mouton e os rebatizou como Mouton Rothschild, fazem parte da PFV a família Paul Roger, produtora do champanhe favorito de Winston Churchill; a família Joseph Drouhin, dona da marca Clos des Mouches; os Jaboulet, produtores do Petite Chapelle; e os Hugel, alsacianos, que se encontram na 11ª geração de fabricantes de um vinho branco e doce que não tem igual no mundo. Quando a PFV foi fundada havia uma outra marca francesa, a Cos D’Estournel, mas em 1999 ela foi vendida a uma multinacional. Os franceses que ficaram são duros na queda. Os Drouhin fazem vinhos na região de Borgonha desde 1880 e já passaram por maus bocados. Durante a Segunda Guerra, o patriarca Maurice foi perseguido pelos nazistas, que o tinham como membro da resistência. Em mais de uma ocasião ele teve de refugiar-se no labirinto das suas adegas para escapar às buscas da Gestapo. Seu neto, o jovem Laurent Drouhin, é um defensor incondicional das virtudes do seu vinho familiar. “Há uma centena de chardonnays, mas apenas um Clos des Mouches”, disse ele durante a degustação. Nicolas Jaboulet, por seu turno, lembrou que os vinhedos de Hermitage foram cultivados pela primeira vez por um cavaleiro que retornava da cruzadas, sedento. Diante de referências tão veneráveis, coube ao californiano Tim Mondavi, o único não-europeu do grupo, lembrar que o vinho tem sido, através dos séculos, a bebida da amizade, da generosidade e, também, da diversidade. “Para mim é simplesmente uma honra fazer parte deste grupo”, resumiu ele à DINHEIRO. A presença de Mondavi na associação mostra que fazer bons vinhos não é exclusividade de velhas famílias européias. Apesar de toda a conversa medieval sobre sangue, terra e valores, o fato, como lembra o historiador canadense Rod Phillips, é que “muitos dos châteaux de Bordeaux e muitas das propriedades de Borgonha mudaram de mãos várias vezes ao longo dos últimos 300 anos e ainda assim mantiveram sua integridade”. Conclusão do autor de Uma Breve História do Vinho: “As aquisições mais recentes não devem fazer grandes diferenças”. Certo, mas não contem nada ao pessoal da PFV. Eles são bacanas.

Listagem dos Clãs de vinhos no velho e novo mundo:


  • TORRES - Os catalães de Penedès fazem vinho há 300 anos e resistiram até aos bombardeios de Franco
  • SYMINGTON FAMILY  - O alto Douro, em Portugal, onde os Symington fazem vinho do Porto desde o século 19
  • JOSEPH DROUHIN  - Maurice Drouhin com os filhos, diante da adega onde se ocultou da Gestapo entre os Clos des Mouches
  • ROBERT MONDAVI  - Os californianos mostram que bons vinhos não se fazem apenas na Europa

Por Por Ivan Martins, de Milão
Nº EDIÇÃO: 356 | 29.JUN - 10:00
Extraído de IstoÉdinheiro >>
Ser o dono do pedaço de terra onde floresceu a única uva não nativa entre as grandes cepas do Douro indica muito do caráter de um produtor. Comprova, por exemplo, que ele está no negócio há muito tempo e que se trata de alguém com gosto pela novidade. Em visita ao Brasil, Dominic Symington, representante da 13ª geração da família proprietária da Quinta do Roriz, onde a Tempranillo espanhola virou Tinta Roriz, revelou como usa o tradicional e o moderno para confeccionar alguns dos vinhos mais renomados de Portugal.


De origem inglesa, os Symington têm quase dois séculos de história na região do Porto – e mesmo nos dias de hoje essa tradição pesa dentro de casa. Apesar de falar português com um discreto sotaque britânico, ele fica com a seleção de Felipão, enquanto seu irmão torce fanaticamente pela Inglaterra. No mundo dos vinhos, eles são protagonistas da revolução pela qual passa a região do Douro.

Há oito anos, Dominic começou a fazer tintos de mesa e a qualidade das suas uvas, as mesmas empregadas nos vinhos do Porto, resultaram em produtos incensados pelo mercado. Os tintos finos da região já respondem por quase 20% da produção tota l– e, no caso das uvas da Quinta do Roriz, 80% vão para vinhos de mesa e apenas 20% para o Porto Vintage.


O clássico e o novo permeiam a produção, do campo às barricas. No vinhedo, os Symington têm separado as plantações por cepas. No Douro, as vinhas velhas, como as que resultaram no Graham’s 30 anos (leia abaixo), chegam a ter mais de 20 tipos de uvas, todas misturadas. Na adega, Dominic foi o inventor da pisa robótica, que reproduz mecanicamente os antigos lagares – tanques em que as uvas eram pisadas pelos camponeses. “Mas só a uso para vinhos do Porto, que têm mais extração”, diz ele. E, na guarda, continua com as antigas barricas de 400 litros, no lugar das bordalesas de 225. “Assim, tiramos pouco do carvalho, já que os nossos tintos são muito estruturados e tânicos”, explica.

Por LUCIANO SUASSUNA

Extraído de IstoÉdinheiro >>
Nº EDIÇÃO: 530 | 21.NOV - 10:00