Caros apreciadores, segue abaixo uma RODA DE AROMAS. Muito útil para auxiliar em degustações mais técnicas de vinhos e bom para praticar as expressões utilizadas. Foi desenvolvida pela professora Ann C. Noble e equipe, da Universidade da Califórnia, EUA.

Enjoy it!!!
Para popularizar o vinho argentino entre os brasileiros, adega itinerante roda grandes cidades do país. De Mendoza para as ruas de todo Brasil, os sócios Ariel Kogan, Danilo Janjacomo e André Fischer criaram a primeira adega de vinhos itinerante do Brasil. A bordo de um pequeno trailer, os Los Mendozitos  rodam o país promovendo o hábito de tomar um bom vinho argentino.

Reprodução.
Conhecida por sua tradicional colheita, cujos cultivos são irrigados com as águas dos Andes, em temperaturas amenas, os vinhos são exportados do norte da argentina para todo o mundo. Por aqui,  ganhou praças e feiras gastronômicas de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.


Entre as opções, vinhos orgânicos e de pequenas vinícolas familiares são as opções oferecidas por preços que variam de 10 a 14 reais, reunindo sabores de tintos, rosés, brancos e espumantes de uvas especiais.

Ao som dos diversos ritmos da música argentina, no Los Mendozitos, a proposta é a diversão, experimentação e conhecimento. Para uma boa apreciação, informações sobre os vinhos são encontradas no trailer, com dados e sugestões de harmonização. Mas sem regras e mandamentos, já que a como eles mesmos dizem “Ninguém precisa ser expert para saber quando o vinho é bom. Isso você sente no primeiro gole”. Para saber a programação do “Wine Truck”, confira a página do Los Mendozitos  no Facebook.

Fonte: Catravalivre


Meu amigo Eduardo Cuducos me animou a preparar meu primeiro pão. Sempre quis fazer um mas nunca me empolguei de verdade, então ao publicar o pão rústico dele - e espero que ele se empolgue e publique na Bebideria - arregacei as mangas e modifiquei uma receita que li em um jornal local...

Como? Simples, abra um vinho e acompanhe:

Dissolva em um copo de leite morno 2 colheres de fermento e deixe crescer por 15 minutos. Não deixe a temperatura alta demais do leite senão o fermento "morre".

Em seguida pegue uma cumbuca de inox e junte a farinha, o segundo copo de leite, ovos, manteiga e as três colheres de açúcar. Sove a "maldita" com colher de pau, faça um exercício até a massa ficar consistente - se for o caso adicione um pouco mais de trigos para a massa ficar no ponto (sem grudar demais nas laterais).

Antes de colocar para descansar por uma hora, coloque farinha de trigo branco na pedra da cozinha, e sove lá a massa mais um pouco... Ela tem de ficar desgrudando das mãos. Daí deixe descansar por uma hora mais ou menos (aqui estava frio, então deixei 1 hora e 20 minutos).



Enquanto isso limpe a bagunça e prepare o recheio: 80ml de azeite pré-aquecido com três dentes de alho picadinhos, adicione a cebola e o açúcar, e prepare o molho adicionando um pouco de sal a gosto até ficar no ponto - reserve.



Depois abra a massa e veja que dá para preparar dois pães grandes, corte a mesma em dois pedaços, e prossiga montando os dois pães como se fossem rocamboles. Para acabamento, pode usar gema de ovo ou mesmo azeite, e em cima coloque algo como castanhas fatiadas... Coloque o pão, ou pães em forno pré-aquecido a 200oC por 40 minutos.

Resultado da encrenca: meia garrafa de vinho Chileno Tenta Merlot, e mais da metade do pão! Agora é tarde da noite, o preparo leva umas 2 horas no total, e estou cheio de bons carboidratos e amanhã terei de correr atrás do prejuízo e dar aquela corrida ou pedalada.


INGREDIENTES:

Recheio
  • 300g de azeitona preta fatiada (tire a água);
  • 3 cebolas fatiadas bem miudinhas;
  • 100ml de azeite de oliva extra-virgem;
  • 3 colheres de sopa de açúcar mascavo;
  • 2 dentes de alho bem picadinhos;
  • Sal a gosto;
Massa
  • 2 copos médios de leite;
  • 3 ovos;
  • 2 colheres de sopa de fermento seco instantâneo (usei o Fleischmann);
  • 4000 gramas de farinha de trigo integral;
  • 100 gramas de sêmola de trigo grano duro;
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo;
  • 2 colheres de sopa de manteiga sem sal;
  • Sal a gosto;


Que coisa triste - um vinho super tradicional esquecido por alguém lá em casa. Sem dono, sem documento resta ao mesmo ser desfrutado por minha pessoa.

Ao ser servido este Alantejano apresenta cor rubi escura, grande sedosidade (afinal tem 14% de TA), e buque alarmante de vinhos Portugueses (acho que do Carvalho e mosto de uvas da região), e finalmente na boca pronuncia-se o sabor de frutas vermelhas. Um espetáculo.



O Altas Quintas "Crescendo" safra 2008, alega ser cultivado em altitude de 600 metros na serra de S. Mamede (dica para quem procura turismo etílico). Tem em sua composição grande maioria da uva Aragonez e pequenas quantidade de Trincadeira e Alicante Bouschet (nunca ouvi falar) que descansaram por  12 meses em barris de Carvalho Francês.

O preço eu não sei, ou esqueceram lá em casa, ou comprei e o esqueci. De todo modo, se alguém se sentir traído me avise que ofereço uma degustação de outro vinho Português desta categoria.

Fotos: Fujifilm XE1, 35mm f1.4, longa exposição.

Filha do renomado enólogo português Luís Pato, a herdeira que visitou a região sul neste ano defende que o vinho deve ser um produto natural e revela ao Cepas & Cifras que não se arriscaria a produzir no Brasil


filipa-pato-350Formada em Química, a jovem enóloga portuguesa Filipa Pato usa seus conhecimentos na área para evitar o uso de químicos em seus produtos. “Para mim um vinho deve ser um produto natural. E para ter efeitos benéficos na saúde deve ser elaborado com essa filosofia na vinha e na adega”, defende. Na vinícola, Filipa prefere utilizar modos de cultivo antigos inspirados no tempo dos avós. Ainda que esse tipo de cultura seja mais dispendioso, Filipa não abre mão que seja feito assim. “A pureza da fruta e dos taninos que se sente nos nossos vinhos reflete exatamente esta forma de trabalho”, diz orgulhosamente. O modo de trabalho de Filipa também a impede de ter grandes áreas de vinho. Tanto é assim que, por ano, ela tem produzido cerca de 90 mil garrafas – 80% do total destinado ao mercado internacional.

Mesmo com poucos hectares destinados ao cultivo da uva, Filipa consegue colocar em prática o espírito experimentalista da família Pato. “Estamos fazendo vinhos fortificados de baga e os resultados são tão animadores que a região da Bairrada abriu os seus estatutos este ano a certificar este tipo de vinho. No primeiro ano que fizemos, o Espirito de Baga alcançou 90 pontos no Parker e foi considerado uma grande revelação pela crítica inglesa”, conta. 

Com o feito, Filipa conseguiu ressuscitar uma tradição. É que o Marquês de Pombal, quando denominou a região do Douro em 1756, proibiu todas as localidades ao redor de produzirem vinhos fortificados. Filipa afirma ter uma química especial com a baga que se tornou uma paixão da família que tem atravessado gerações. “Nossa persistência fez com que tenhamos hoje vinhas velhas de baga que é uma casta muito exigente, seja na viticultura, seja na vinificação. O saber empírico de geração em geração é fundamental para a evolução que temos tido. É a casta que melhor transmite os terroirs da região da Bairrada. E também a uva que dá longevidade aos tintos da Bairrada”, entusiasma-se apontando que, além da Baga, as variedades Pinot Noir e Nebiolo são referências para ela.

No campo das experiências, Filipa adiantou ao Cepas & Cifras que o melhor vinho feito por ela está por chegar ao mercado no próximo ano. “Nosso tinto 2013 foi o melhor produto já feito por nós. Foi uma colheita desafiadora, com maturação muito tardia. Passei um verão sem ir à praia para conseguir segurar a colheita. Estou muito feliz com o resultado, pois teremos ainda menos quantidade (de garrafas), mas a qualidade é a melhor que fizemos até hoje”, revela. O ano de 2014 também guardou para Filipa seu maior fracasso. “Produzimos um vinho branco fermentado em ânfora que era tão pouco [100 litros apenas] que depois acabou oxidando numa cuba de maior capacidade. Mas garanto que dentro de dez anos será um ótimo vinagre… Acredito que um bom vinagre deve ser feito de um bom vinho também”, argumenta.

Filipa, que já experimentou um vinho produzido na campanha gaúcha feita com castas portuguesas, revelou ao Cepas & Cifras, no entanto, que não se arriscaria a fabricar a bebida no Brasil. “Não tendo possibilidade de acompanhar o vinhedo durante todo o ano, não me aventuro a fazer um vinho no Brasil. Fazer vinho para mim não é só colher as uvas e seguir a vinificação, pois um grande vinho é feito na vinha”, diz Filipa que visitou Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre em fevereiro deste ano em uma promoção das importadoras Porto a Porto e Casa Flora. “Acho que o Brasil tem condições fantásticas para fazer outro tipo de bebidas. Adoro, por exemplo, a cachaça com palmito”, opina Filipa.

Fonte: Amanhã
A Região Demarcada do Douro vai este ano poder transformar 105 mil pipas (de 550 litros cada) de mosto generoso em vinho do Porto, revelou o Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP).


O presidente do IVDP, Manuel de Novaes Cabral, afirma que "mesmo num momento particular para o Douro, como o que agora se vive, os representantes da produção e do comércio chegaram a acordo, facto que merece ser destacado pela nota positiva que transmite".

O vinho do Porto é um dos produtos portugueses mais exportados. No entanto, para o mercado brasileiro o ano 2014 tem sido de queda nas vendas. Nos primeiros cinco meses deste ano as exportações de vinho do Porto para o Brasil recuaram 12,7%, para 1,37 milhões de euros.

Fonte: Portugal Digital
Das anotações feitas desde outubro de 2012 emergiu a principal: os brasileiros têm um problema para gelar a cerveja no ponto certo. Na geladeira, a bebida não fica suficientemente fria. No freezer, ela congela. A resposta chegou ao mercado em fevereiro: uma cervejeira capaz de manter a bebida entre -5 e 5 graus Celsius.

“Foi uma solução verdadeiramente local. Daqui para a frente, respostas assim serão cada vez mais frequentes”, diz Vitor Bertoncini, diretor de estratégia e inovação da Whirlpool para a América Latina.

À medida que mercados como China e Brasil ganham relevância, as principais indústrias abandonam o modelo unilateral de inovação, no qual paí­ses ricos criam produtos e os vendem mundo afora. Empresas globais começam a percorrer a rota oposta, na qual a criação ocorre em países emergentes e migra para outros mercados.

Whirlpool: em fevereiro, com base na observação do comportamento de 53 famílias de consumidores no país, a empresa desenvolveu uma cervejeira da marca Consul que mantém a bebida entre -5 e 5 graus Celsius — a temperatura considerada ideal pela maioria deles


É o que o indiano Vijay Govindarajan, professor da escola de negócios Tuck, na Carolina do Norte, chama de “inovação reversa”. No caso da Whirlpool, já há estudos para levar a cervejeira para outros países da América Latina e da Europa. “As matrizes não são mais as únicas protagonistas nesse processo”, diz David Reibstein, professor de marketing da escola de negócios Wharton, na Pensilvânia.

Para tirar o projeto do papel, a Whirlpool dobrou o time de inovação, hoje com 500 integrantes, desde 2012. Com isso, iniciou pela primeira vez as visitas a consumidores brasileiros e pôde dar consistência a um esforço que havia começado como um teste em 2003, com a criação de um filtro de água no país. Além da cervejeira, a Whirlpool lançou em maio outro item 100% brasileiro: um micro-ondas que faz sanduíches no estilo tostex.

Com a intenção de acelerar os resultados, algumas empresas preferem fechar parcerias locais. É o caminho trilhado pela italiana Barilla, líder no mercado de massas com o grão de trigo duro no Brasil. O problema, para a Barilla, é que o consumidor brasileiro prefere outro tipo de macarrão: quase 97% das vendas do produto são de grão tenro.

Entrar nesse segmento, portanto, é o único jeito de ganhar relevância no país,­ terceiro maior mercado da empresa. A saída foi terceirizar a produção de macarrão de grão tenro para a mineira Vilma Alimentos, num processo acompanhado de perto pela matriz.

O próprio Guido Barilla, presidente e membro da quarta geração da família fundadora, visitou consumidores brasileiros antes de criar a primeira receita local da companhia em 136 anos de história. “Já temos 7% das vendas de massa mole nas capitais do Sudeste e do Sul”, diz Maurízio Scarpa, presidente da Barilla no Brasil. Nos últimos 12 meses, as vendas no país aumentaram 65%.

Em alguns casos, ouvir o cliente local pode dar fôlego a uma categoria em declínio. Para reanimar o mercado de rum, que encolheu 10% desde 2008, a fabricante francesa de bebidas Pernod Ricard lançou em abril deste ano o Montilla Esquente - Mel e Limão, a primeira alteração no produto à venda no país desde 1950.

A ideia é agradar aos jovens que misturam Montilla com refrigerante para quebrar o sabor amargo. Esses consumidores queriam algo já pronto para beber. A bebida chegou a Recife e Fortaleza e estará em todo o país até dezembro. “Ouvir mais o cliente brasileiro é o único jeito de crescer”, diz Patricia Cardoso, gerente de marketing da Pernod Ricard.
Polo Vitivinícola do Vale do São Francisco, que reúne sete vinícolas entre o Sertão de Pernambuco e o Norte da Bahia, tornou essa área – em plena Caatinga – a segunda maior produtora de vinhos, espumantes e sucos naturais de uva no Brasil.
"O Instituto tem buscado sempre melhorar os nossos vinhos e toda a produção vinícola em nossa região, pesquisando novas variedades, trazendo especialistas e firmando parceria com instituições como a Embrapa Uva e Vinho, que fica no Sul do Brasil. Tudo que vem se destacando em nossa região produtora foi fruto de muita pesquisa e de muito trabalho. Hoje somos respeitados e reconhecidos nesse mercado", garante José Gualberto.

O Polo Vitivinícola do Vale do São Francisco,  em plena Caatinga,  reúne sete vinícolas entre o Sertão de Pernambuco e o Norte da Bahia e é a segunda maior produtora de vinhos, espumantes e sucos naturais de uva no Brasil – Crédito da foto: Cássio Moreira/Codevasf
O polo ocupa uma área de mais de 10 mil hectares entre os municípios pernambucanos de Lagoa Grande (a capital da uva e do vinho do Nordeste) e Santa Maria da Boa Vista (que sedia a vinícola pioneira no negócio), além de Casa Nova (cidade baiana que incrementou o enoturismo na região).

Responsável por 99% da uva de mesa exportada pelo Brasil e pela produção de 7 milhões de litros de vinho por ano, o vale vem se destacando como modelo de desenvolvimento para o Nordeste.

A vinicultura pernambucana/baiana já detém 15% do mercado nacional e emprega diretamente 30 mil pessoas na única região do mundo que produz duas safras e meia por ano.

"Isto se deve em grande parte à particularidade do clima do Vale do São Francisco, que se resume, de forma genérica, às seguintes características: 300 dias de sol por ano, temperatura média alta durante todo o ano (o que permite o contínuo desenvolvimento da planta), pluviosidade muito baixa e água para irrigação abundante graças ao 'Velho Chico'. Todos estes fatores combinados permitem que a planta se desenvolva durante todo o ano, não estando condicionada à sazonalidade como em outras regiões tradicionais no mundo", explica o enólogo português Ricardo Henriques.

Segundo dados do site especializado Academia do Vinho, o Vale do São Francisco abrange 500 hectares de áreas de uvas viníferas, 7 mil hectares de áreas de uvas comuns e 7,5 mil hectares de vinhedos. Entre as variedades tintas, destacam-se Syrah e Cabernet Sauvignon; entre as brancas, Moscatel, Muskadel, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Silvaner e Moscato Canelli.

A produção atual da região é da ordem de 7 milhões de litros ao ano e aumenta entre 5% e 10% ao ano desde 2001, segundo José Gualberto Almeida, presidente do Instituto do Vinho do Vale do São Francisco. "O crescimento decorre de novos pomares que estão sendo implantados, fruto de pesquisas feitas pela Embrapa, com apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do governo de Pernambuco, por meio do Itep (Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco), e dos produtores, por meio do Instituto do Vinho", afirma Almeida.

Em fevereiro de 2006, na Unidade da Embrapa Semiárido em Petrolina (PE), foi inaugurado um Laboratório de Enologia com tecnologia para ser um dos mais modernos do País. O objetivo é empreender análises dos vinhos da região com monitoramento da qualidade e certificação da procedência do que é produzido no Vale do São Francisco. O investimento inicial da Finep e Embrapa foi de R$ 1,4 milhão. No mesmo ano, foi assinado convênio entre as instituições, no valor de R$ 795 mil, para implantação de vinhedos que pudessem servir de base para selecionar e divulgar novos cultivares, permitindo o desenvolvimento da pesquisa de novos vinhos com características peculiares da região.

vinho 1 - Entre as variedades já testadas, a uva espanhola Tempranillo foi a que apresentou melhores resultados. Outra aposta é a francesa Petit Verdot, que costuma ser usada numa proporção de no máximo 5% nas combinações com outras uvas, mas foi testada em um vinho varietal – que usa de 70% a 100% de apenas um tipo de uva. A terceira indicação é a italiana Barbera, do Piemonte. Todas estão em testes em vinícolas locais. Até agora, a uva que melhor tinha se adaptado à região era a Syrah.

Restam algumas dificuldades para os produtores, a começar pela resistência do público interno em relação a produtos nacionais. "O brasileiro prefere beber um vinho ruim chileno ou argentino a beber um bom vinho nacional", conta o português João Santos, diretor técnico da Vinibrasil, há cinco anos no País.
Burocracia, falta de logística e de materiais de qualidade no mercado nacional (como rolhas e garrafas, por exemplo), gasto com frete e importações são outros problemas na competitividade do vinho nacional, além dos altos impostos que fazem com que os importados do Mercosul acabem chegando com preços menores que os nacionais. "Vinho cria empregos e identidade para a região e o Brasil precisa explorar isso melhor", diz João Santos.

As vinícolas do Vale
A Vinícola Vinibrasil, situada em Lagoa Grande, está no polo produtor desde 2002. Possui grande aceitação entre os apreciadores da bebida e as marcas Paralelo 8, top com premiações internacionais, e os espumantes Rio Sol são carro-chefe entre os rótulos da indústria. A sede da vinícola serviu de cenário para as principais cenas da minissérie Amores Roubados, da Rede Globo, exibida em janeiro, onde o ator Cauã Raymond viveu um sommelier ousado e conquistador.

"Foi bastante positiva para nós a exibição da minissérie. Isso permitiu um maior interesse para os que não conhecem e querem ver de perto como o semiárido nordestino consegue produzir vinhos finos e espumantes de padrão internacional, já que possui uma vantagem sobre o Sul do País que é dispor de duas safras e meia por ano. Isso permite uma produção maior, com vinhos jovens de grande aceitação no mercado", disse o diretor administrativo da Vinibrasil, André Arruda.

Dos cerca de 7 milhões de litros produzidos por ano, a Vinibrasil é responsável por aproximadamente 1,5 milhão de litros. Além do Rio Sol e do Paralelo 8, a Vinibrasil disponibiliza para o mercado as marcas Rendeiras, Adega do Vale, Vinhamaria e o frisante Bliss. A indústria gera 110 empregos diretos e 250 indiretos. "Temos um receptivo turístico na fazenda em que o visitante pode conhecer todo o processo de produção de vinhos e inclusive almoçar na sede e passear de barco no rio São Francisco, além de degustar um bom vinho ou espumante", conta João Santos. A vinícola recebe uma média de mil visitas ao mês e o pacote completo custa R$ 130.

Em Casa Nova, no Norte baiano, o polo produtor de vinhos do vale são-franciscano tem na Vinicola Miolo excelência em produzir marcas tradicionais, como Terranova, e a conceituada entre os amantes do vinho, Testadi tinto. A vinícola produz anualmente 2 milhões de litros entre vinhos e espumantes e gera 150 empregos diretos.

O turismo do vinho vem cada vez mais tomando corpo na Fazenda Ouro Verde, sede da Miolo em Casa Nova. O grupo lançou, há cerca de dois anos, o 'Vapor do Vinho', um agradável passeio pelo rio São Francisco passando pela barragem de Sobradinho (BA) até chegar nas terras férteis das vinhas que fazem os vinhos conhecidos internacionalmente. O grupo Miolo trabalha com 11 marcas.

Pioneiro em produzir uva e vinho do Sertão pernambucano, o empresário e hoje vice-prefeito de Santa Maria da Boa Vista, José Gualberto Almeida, é um otimista. Ele sabe que muito caminho ainda será percorrido para que a região esteja consolidada no mercado vinícola nacional e mundial e como destino do enoturismo no País.

vinho 2 - "Uma região vinícola leva tempo para se firmar. Nos grandes centros produtores, varia de 50 a 100 anos. Nós estamos evoluindo bem. A nossa marca, vinhos Botticelli, é pioneira. Estamos no mercado há 28 anos e sempre buscando evoluir", observou Gualberto, que também preside o Instituto de Vinhos do Vale do São Francisco (Vinhovasf).

A região ainda tem as vinícolas Biachetti e Garziera. A primeira tem focado em produzir vinho fino orgânico. Já a última é pioneira no receptivo turístico do vinho e na produção de suco natural de uva com a marca Sol do Sertão. O seu fundador, o enólogo Jorge Garziera, foi o primeiro a trazer uva para o vale do São Francisco e foi em sua segunda gestão, em 2001, que o Polo Vitivinicola do Vale do São Francisco foi criado oficialmente.

Mais resveratrol
O diretor da Vinibrasil, André Arruda, destacou outro ponto que traz vantagem aos vinhos produzidos no Vale do São Francisco. "Nossas vinhas da variedade Syrah para tintos produzem cinco vezes mais resveratrol que em outras regiões tradicionais produtoras do mundo. Já foi comprovado que essa substância faz muito bem a nossa saúde", revelou.

Ele conta que pesquisas já comprovaram os benefícios do resveratrol ao organismo humano. O resveratrol está presente em uvas para vinhos tintos. O seu uso permite combater, entre outros danos, o mau colesterol, o envelhecimento, além de ser bom para a memória e ajudar no funcionamento do coração.

"A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda o consumo de uma taça de vinho tinto por dia. Então vinho não é apenas bebida, é alimento e faz bem à saúde. Isso torna o produto ainda mais especial na nossa região", aponta.

Fonte: Imprensa | Codevasf


Nessa semana três coisas interessantes aconteceram e o resultado da combinação delas foi essa minha primeira contribuição para o Bebideria. Primeiro eu me aventurei em mais uma das minhas experiências com fermentação natural e panificação – adaptando algumas receitas de pão rústico que eu vinha testando, tive como resultado um pão delicioso, macio, mas com um gosto bem marcado. Segundo, essa semana recebi  aqui em casa o Luiz, Pizzani, grande amigo e mestre cervejeiro da Big Pitcher (Bangalore, Índia). Terceiro, fomos visitar a Truman’s Beer aqui em Londres e lá provamos uma Pale Ale. Juntando esses três fatos, temos o seguinte: segundo o Luiz, a Truman’s Pale Ale harmonizaria muito bem com o pão que já tínhamos provado em casa.

Então, fica aqui a dica: quanto quiserem um pão para acompanhar uma boa pale ale, ou mesmo um bitter ale, eis a minha receita.

Ingredientes

  • 600g água
  • 480g farinha de trigo branca
  • 200g aveia
  • 170g farinha integral
  • 70g farinha de centeio
  • 66g de fermento natural (falar sobre fermento natural renderia um post a parte, mas basicamente foi assim que fiz o meu)
  • 12g sal
  • 2g fermento biológico seco

Instruções para a massa

  1. Dissolver o o fermento biológico e o natural na água
  2. Adicionar os outros ingredientes
  3. Sovar por 5 minutos
  4. Cobrir a massa e deixar fermentar por mais ou menos 8h (eu deixei durante a madrugada, preparei a massa de noite, fui dormir e assei o pão na manhã do dia seguinte; o importante aqui é que a fermentação é um processo natural, sujeito a variações de acordo como tipo e força de fermento, temperatura, humidade etc – talvez algum experimentos com essa receita sejam necessários até você achar o tempo ideal).
  5. Sovar por mais uns 2 minutos até a massa ficar consistente para moldar o pão
  6. Fazer o formato do pão, selar a massa com farinha, cobrir e deixar crescer por 2h

Instruções para assar

  1. Pré-aquecer o forno (180ºC) com uma panela de ferro tapada dentro (sugestão, depois de 1h30 de crescimento da massa, ligar o forno com a panela dentro)
  2. Colocar a massa dentro da panela e com uma faca bem afiada fazer um corte delicado na parte de cima da massa
  3. Tapar a panela e deixar assando dentro do forno por 30 minutos
  4. Remover a tampa da panela e deixar assando por mais 15 minutos

Autor: Eduardo Gonçalves "Cuducos"



Ferramenta oferece avaliações, notas de degustação e descrições por meio de reconhecimento do rótulo em tempo real

Os compradores de vinho talvez consigam economizar algum tempo nos corredores de bebidas com a ajuda de um poderoso aplicativo de vinho renovado, que oferece avaliações, notas de degustação e descrições por meio de reconhecimento do rótulo em tempo real.

Com o nome de Delectable, o app de vinho atualizado tem o selo de aprovação do expert em vinhos Jancis Robinson, que chamou o aplicativo de reconhecimento de rótulos de "uma extensão brilhante de programação".

O funcionamento se dá da seguinte maneira: os usuários tiram uma foto do rótulo de vinho e têm a identificação imediata – que leva em média 2,6 segundos – do fabricante, do nome do vinho, das uvas usadas nele e da região.

As avaliações e comentários estão disponíveis graças a diversos profissionais – enólogos, sommeliers e jornalistas especializados em vinho – e da comunidade Delectable.

As atualizações mais recentes também permitem que os usuários adicionem garrafas favoritas a um álbum digital, adicione avaliações, marque amigos, lugares e faça compras de vinho.

Ainda que vários aplicativos de reconhecimento de rótulos de vinho existam – Vivino, Wine-searcher, Cor.kz – o site JancisRobinson.com encheu o Delectable de elogios desenfreados, chamando-o de o melhor no mercado:

– Ele venceu todos os outros aplicativos de reconhecimento de rótulos no mercado por uma razão simples: identificou cada marca com 100% de precisão, sem a necessidade de correções.

Fonte: Click RBS
Marca, publicidade e qualidade significam necessariamente sabor? Esta matéria traz uma pesquisa realizada por uma famosa consultoria Americana, a Millward Brown, que aponta as 10 marcas mais valiosas de cerveja do mundo, e ajudam a desmistificar este mito. Prova disso é que temos duas Brasileiras no top ten mundial, que são conhecidas por ser "loiras aguadas" e baratas. Segue a lista, inaugurando em décimo lugar a Brahma Chopp!


CERVEJA NÚMERO DEZ: BRAHMA CHOPP


Pode? Dentre as mais famosas, a piorzinha é nossa conhecida de buteco, a Brahma Chopp. Pasteurizada no sabor - se compara a leite UHT - não tem corpo, não tem muito malte, não tem lúpulo, não tem alma. Mas deve estar aqui porque o povo adora cerveja estupidamente gelada, e gelado por gelado no verão até gelo desce bem.

CERVEJA NÚMERO NOVE: MILLER LITE


 Não me recordo de ter bebido ou não esta Pilsener Americana, e para ser honesto, tirando o Whiskey do Tennessee e Vinhos Californianos eles são meio ruins nas escolhas de cerveja. Não se pode dizer o contrário sobre seus rótulos e campanhas publicitárias!


Tirando a brincadeira de lado, esta lite não me chamou nem um pouco a atenção. Só para comparar, a Miller tradicional já não empolga nem um pouco, imagina a light.


CERVEJA NÚMERO OITO: AGUILA



Nunca ouvi falar desta Colombiana, mas ao procurar a respeito dela, dizem que é outra cerveja de verão, ou seja tropical, praia, mulheres e frutos do mar. Quem conhece? Deixe aqui seu comentário.

CERVEJA NÚMERO SETE: GUINNESS



Não duvide de um Irlandês em dois assuntos: bebidas alcoólicas e batatas. Esta moreninha é muito densa, espumante, torrada e levemente doce. Uma Stout muito boa para inverno, acompanhar uma carne pesada na janta ou até para os trabalhos de um churrascão "da galera", sim aqueles onde você será obrigado a beber Skol, Brahma ou Antarctica o dia todo, porque se levar algo melhor que isso verá que elas somem e você acaba com as "danadas" citadas acima - é a mesma situação da carne no churrasco, alguém diz que adora Fraldinha e Linguiça de Frango, mas são justamente estas "iguarias" que sobram no final e ninguém come. Fica a pergunta: quem é o dono da Fraldinha, Linguiça de Frango e Skincariosomething que ficou no gelo.


Sempre que puder beba Guinness. Básico assim, e quando for em um jantar ou almoço onde ela é servida... Boa sorte, é seu dia, mas se levou Skol tenha a decência de pedir licença e ir comprar uma cerveja que preste para compartilhar. Educação é bom, principalmente com espuma no topo.

CERVEJA NÚMERO SEIS: SKOL


Não tem como não dizer que é totalmente ruim, seria desrespeito com o passado de todo Brasileiro. É uma cerveja barata, tem algum malte, algum lúpulo, vários cereais desconhecidos (os vulgares não-maltados) mas desce redonda quando gelada. Quem nunca bebeu e gostou que atire a primeira pedra. Eu não jogo. É indicada para levar ao churrasco "da galera", ou comprar na praia, pois por ser leve desce o dia todo... 

CERVEJA NÚMERO CINCO: CORONA



Arriba! É cerveja para festa! Adicione naquele calor um pouco de sal na boca da garrafa, jogue uma fatia de limão dentro e beba... É muito refrescante, leve, suave e com grande transparência. É cerveja de festa, para acompanhar tequila e todo o resto que vem depois. Deveria vir com camisinha.

CERVEJA NÚMERO QUATRO: STELLA ARTOIS


Como disse um amigo meu, Rodrigo Azevedo, ela é refrescantemente boa. Afirmação bem correta, esta  Belga, diz a lenda a partir de notas fiscais históricas, é fabricada desde 1366 na cidade de Leuven, e segundo rigoroso controle de qualidade. Segundo o rótulo é uma Lager, mas já ouvi dizer que em alguns locais a classificam como uma Pilsener. Para mim é Lager.

CERVEJA NÚMERO TRÊS: HEINEKEN


Sim, é uma propaganda de época da Heineken. Sempre brincalhões os Holandeses aprontam das suas nos comerciais desta ótima Lager. É realmente uma puro malte com exclusivo sabor de lúpulo, e segundo a fábrica utilizam da mesma cepa de fermento deste 1900-e-guarana-com-rolha. É fabricada ao redor do mundo, e os sabores são bem próximos.

CERVEJA NÚMERO DOIS: BUDWEISER


Outra Bud na lista. Esta Lager faz muito sucesso, realmente leve no gosto mas potente no TA. Vende bastante por lá, e seria a nossa Skol, ou o "pai nosso de cada dia", mas aqui é comercializada como cerveja premium... Bem, não é.

CERVEJA NÚMERO UM: BUD LIGHT



É a cerveja mais consumida nos EUA, por isso aparece no ranking como a número um, afinal são os grandes consumidores deste tipo de cerveja. Por aqui não pegou, nem adianta anunciar na Playboy. Fabricada nos EUA - para os EUA!

Chegou até aqui? Aproveite a semana, compre uma de cada, deguste e compartilha sue opinião. Saúde!




William McCrea é um cardiologista britânico que prescreveu vinho tinto a dez mil pacientes em dez anos. No Brasil, segundo ele, a bebida pode ser incorporada à dieta. E o nosso café poderia ajudar nisso. A ideia de receitar vinho surgiu quando ele percebeu que os franceses tinham menos infartos que os britânicos, apesar de comerem mais gordura e fumarem mais. No Brasil, assim como em grande parte do resto do mundo, as doenças cardíacas são a principal causa de morte, conforme entrevista cedida.

Em que casos e idades o senhor prescreve vinho aos pacientes? Aos pacientes com bloqueio da artéria coronária, de todas as idades, eu indico 125 ml de vinho duas vezes por dia. Às pessoas com distúrbios psiquiátricos, histórico de adição a álcool ou drogas, doenças hepáticas, úlceras estomacais, doença do músculo cardíaco ou batimentos cardíacos irregulares o vinho não é receitado.

Qualquer tipo de vinho? O Cabernet Sauvignon do Chile, por ser cultivado em grande altitude, é o melhor, o mais rico em antioxidantes. Outros vinhos benéficos são Pinot Noir e Shiraz. Os italianos, surpreendentemente, têm concentração média de antioxidantes e o Zinfandel tinto da Califórnia está entre os de concentração mais baixa. Em geral, vinhos mais jovens e baratos com tampa de rosca tendem a ser os melhores para o coração.

Por quê? Uma vez que a garrafa é aberta, os antioxidantes se dissipam conforme o vinho “respira”, por isso eu recomendo o uso de tampas a vácuo. Os antioxidantes também podem ser absorvidos pelas rolhas durante o armazenamento prolongado, particularmente em madeira. Os estudos sobre flavonoides e seus efeitos para o coração já são conhecidos, mas não seu uso direto como prescrições de médicos a pacientes. Em 1992, a revista “Lancet” publicou um artigo que mostrou que o consumo moderado de álcool resultou em uma redução de 40% em ataques cardíacos, e, em 2001, a Associação Americana do Coração saiu com o slogan “um drinque por dia leva a rigidez arterial embora”. A descoberta de antioxidantes, tais como flavonoides e resveratrol ou polifenóis da casca da uva vermelha, particularmente quando cultivada em altitudes elevadas, é crucial: essas substâncias têm sido usadas para evitar danos no interior dos vasos sanguíneos e para inibir a formação de coágulos no sangue, pois dilatam as artérias, aumentam o bom colesterol e reduzem em 20% o risco de derrames.

Há alguma forma de seguir sua prescrição quanto ao consumo de vinho sem criar outros problemas? O ideal é consumir quantidades moderadas de álcool regularmente, em vez de muita quantidade de uma só vez, para evitar danos ao coração e a outros órgãos.

Qual é a reação dos pacientes à receita médica? Acredito que o senhor deve ser amado pelos pacientes... Sim, meus pacientes me amam (ou pelo menos a maioria deles!). Muitos seguem meus conselhos, mas não todos, como, por exemplo, os que têm motivos religiosos.

No Brasil, temos índices altos de obesidade e doenças associadas, como o diabetes. É possível prescrever vinho nessas condições? Uma taça de vinho tinto tem aproximadamente 85 calorias e deve ser incorporada a uma dieta controlada. Para interromper a vontade de tomar mais vinho, o ideal é beber uma xícara de café forte: a reação química causada por essa combinação na boca faz com que a pessoa recuse o álcool. Pelo menos para a maioria das pessoas, os taninos do vinho tinto não ficam tão agradáveis depois do café. Deve funcionar no Brasil, já que vocês têm um café de ótima qualidade!

Fonte: O Globo


Recente pesquisa revela que cerveja é a bebida que tem mais a cara do brasileiro. Ao vinho restou a amarga lanterninha. E pior: foi assim também no sul, região que é a maior produtora da bebida no país e também a que mais consome.

Pesquisa divulgada pelo Ibope no início deste mês dá conta que a cerveja é a bebida que tem mais cara do brasileiro. Em todo o país, a bebida é citada por 59% da população. O segundo lugar ficou com os refrigerantes com 12% e o terceiro, a cachaça que teve 11% dos votos. Os perfis que mais citaram a cerveja como cara do brasileiro são os homens, maiores de 54 anos (60 – 65%) de classe social A e B (63%) ao contrário das classes menores, C e D (56%).

tacas-vinho-350A análise foi feita de forma quantitativa em todo o país, e entrevistados 1.958 pessoas, sendo homens e mulheres, maiores de 18 anos de todas as classes sociais entre 7 a 11 de novembro do ano passado.  A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos no total dos dados levantados no Brasil. A pesquisa foi encomendada pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). A entidade reúne as quatro maiores fabricantes de bebida do país, que respondem por cerca de 96% do mercado.

Naturalmente é de se pensar que o vinho deve ter reduzido o Ibope da cerveja no sul, região produtora e consumidora da bebida, certo? Errado. Do Paraná para baixo, o vinho é a cara do brasileiro apenas para 1% dos entrevistados. No Rio Grande do Sul, o maior fabricante de vinhos finos do país, esse índice é de 2%. No Paraná, a bebida não foi citada (veja os números completos na tabela logo a seguir). Os habitantes de Santa Catarina, que também produz vinhos, não foram pesquisados.

A pesquisa escancara quanto o segmento vinícola ainda tem a trabalhar para fazer com que a bebida ganhe mais espaço. Tanto é verdade que a citação da bebida como “a cara do brasileiro” não passou do traço em todo o país. Há quem possa ver a taça, por esse ângulo, meio vazia. Eu ainda sou daqueles que, olhando pelo outro lado, me deparo com uma taça meio cheia. Ou seja, há oportunidades por aí para fazer com que o brasileiro adote em sua rotina o bom hábito de beber vinho.

Bebida                Brasil Sul     RS PR
Cerveja             59% 48%   55%    37%
Destilados             12%   9%     5%    15%
Refrigerante     11% 15%   17%    11%
Vinho                      -           1%    2%       -  
(-) Sem citação. 

Fonte: Amanhã
Tabela: Ibope

Mais de 30 pesquisadores de instituições como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape), Universidadae do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e Instituto Federal (IF-Sertão) devem atuar no Instituto de Pesquisa Avançada da Uva e do Vinho Tropical (IVT) de Lagoa Grande, no Sertão pernambucano. A expectativa da prefeitura da cidade é que até o mês de julho o instituto passe a funcionar.



Sediado no prédio da Enoteca, que fica na Avenida Central do Distrito de Vermelhos, Zona Rural do município, o IVT está na reta final para inauguração. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esporte, José Figueiredo, está sendo formado o conselho de gestão que deve estabelecer as diretrizes de funcionamento da unidade. “A proposta é para tornar o instituto uma referência mundial na produção de uva e vinho produzidos em regiões de temperatura mais elevadas”, garante.

O secretário informou que logo após a formalização do instituto, deve ser firmado um convênio entre a Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) através da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), a Prefeitura de Lagoa Grande e Governo de Pernambuco. “O custeio inicialmente será com esse convênio para implementação. Depois o instituto ficará autônimo e se manterá através de outros convênios e editais”, explica.

Os pesquisadores do instituto da uva e do vinho estarão divididos em grupos com as mais diversas especialidades. As empresas parceiras darão o norte das demandas, mas algumas outras podem solicitar outras pesquisas, que será outra fonte de renda da unidade. “Queremos dar respaldo científico para produção de uvas, vinhos e seus derivados na região. Mas a proposta é internacionalizar o instituto recebendo pesquisadores internacionais para compartilhar tecnologia e beneficiar outras áreas produtoras do mundo que estão sofrendo com a elevação de temperatura por causa do aquecimento global”, destaca José Figueiredo.

Além das pesquisas, o IVT realizará palestras, oficinas, eventos e cursos profissionalizantes na área da uva e do vinho. Iniciando as atividades no prédio, está previsto para o mês de agosto deste ano, a realização de oito cursos do Pronatec todos voltados para a área de produção de vinho e uva, além do enoturismo. A proposta é para tornar o instituto referência mundial, que funcionará na cidade de Lagoa Grande, PE.

Fonte: G1

Tenho grande prazer de compartilhar uma receita que minha Avó Jacira me ensinou há alguns anos. Talvez ela nem se lembre mais de ter me ensinado este frango caipira goiano em uma antiga casa da minha Mãe na Cachoeira do Bom Jesus em Florianópolis. Esta receita é uma homenagem às duas grandes cozinheiras que me ensinaram um bocado de muita coisa além da cozinha.

Vamos começar... Abra um vinho para ir acompanhando o preparo, pois assim o tempero fica mais encorpado! Primeiro refogue a cebola, alho picados com caldo Knorr no azeite. Use uma panela grande o bastante para refogar posteriormente o frango e adicionar o  molho.

Depois que esta base estiver secando, pregando no fundo, adicione o frango a passarinho (ou corte caipira tradicional mesmo).


Deixe o frango refogar bem, vá misturando tudo com cuidado e adicionando sal a gosto. Este processo pode demorar uns 20 minutos, ou mais dependendo do fogão. É importante notar que o frango tenderá a pregar no fundo, portanto adicione um pouco mais de azeite se necessário, e vá mexendo o frango sem deixar o mesmo "quebrar".

Quando não houver mais "sangue" saindo das juntas ou ossos (macete), adicione a cebolinha, salsa, algumas pitadas de açafrão da terra, e finalmente água até cobrir o frango completamente.


Refogue o frango em fogo baixo, misturando lentamente de vez em quando, e ocasionalmente mais azeite. Note que o momento de adicionar o creme de leite, será quando a redução alcançar metade da altura de frango, ou o mesmo começar a "quebrar"... Quando o caldo com creme começar a ferver, é o momento de parar. Não deixe cozer demais.

Para preparar o prato: coloque uma potente pimenta do lado, um vinho branco ou tinto leve para acompanhar. Aqui selecionei um Carmenere Chileno que é um excelente vinho de mesa, mas também cai muito bem com cervejas robustas e cheias de lúpulo.

Saúde! Obrigado Vovó Jacira!




Ingredientes:
  • Frango a passarinho (ou caipira cortado)
  • Salsa e Cebolinha cortadas
  • 2 dentes de alho (ou mais)
  • 1 cebola
  • 1 creme de leite
  • Azeite
  • Sal
  • Açafrão
  • Pimenta mista
  • Pimenta vermelha (como na foto, nada de molhos fracos)
  • Arroz branco (acompanhamento)
  • Batata Frita (acompanhamento)
  • Queijo Ralado (acompanhamento)
Aurora Espumante Moscatel, Aurora Reserva Merlot 2011 e Garibaldi Espumante Moscatel

Três vinhos brasileiros figuram na lista dos 100 melhores do mundo, segundo ranking realizado pela Associação Mundial de Jornalistas e Escritores de Vinhos e Licores (WAWWJ). Ano passado, apenas um vinho representava o país na lista.

As bebidas nacionais ranqueadas foram o Aurora Espumante Moscatel (56º lugar), o Aurora Reserva Merlot 2011 (65º), ambos da vinícola Aurora, e o Garibaldi Espumante Moscatel (97º), da Cooperativa Vinícola Garibaldi, único vinho brasileiro também presente no ranking anterior.

Segundo a lista, o melhor do mundo é champanhe Charles Heidsieck Blanc des Millénaires 1995, da francesa Vranken Pommery Monopole Heidsieck. Em segundo lugar, aparece um vinho malbec argentino: Zemlia Himno Malbec Bicentenario 2010, da Bodega Zemlia de Las Casuarinas.

A terceira posição é ocupada pelo syrah australiano Taylors St Andrews Shiraz Clare Valley 2010 , da Taylors/Wakefield Wines Pty. A Austrália é o país com mais vinhos no ranking: são 23 rótulos.

O Ranking Mundial de Vinhos é elaborado com base nos resultados de concursos nacionais e analisa as Sociedades Vitivinícolas e os vinhos de cada país. As pontuações variam de acordo com a importância relativa do concurso e a posição de cada rótulo dentro deles.

Neste ano, foram avaliados mais de 650 mil vinhos de todo o mundo. As bebidas  são degustadas às cegas por pessoas de todo o mundo, como enólogos ou especialistas, jornalistas, importadores e consumidores qualificados de mais de 120 países.
Fonte: Exame.com


Esta garafinha com rótulo inusitado traz uma grande experiência sensorial. É o seguinte: rapidamente você percebe uma linda cor ferrugem com espuma densa de cor creme, em seguida no palato o adocicado surge imediatamente trazendo a refrescância dos lúpulos de amargor e aromático(s).

Esta Irish Red Ale da Way Beer, do Paraná, traz TA de 5,8%, é puro malte (alguns torrados), e custa em Florianópolis R$ 10,95 a garrafinha de 310Ml.


Conforme estudo realizado por pesquisadores alemães da Charité – Universitätsmedizin Berlin , o resveratrol encontrado na bebida e no chocolate amargo ajuda nas recordações e memória de curto prazo, aumentando as conexões cerebrais, dando uma ajudinha extra na concentração. Não que você precise de uma desculpa para tomar uma bela taça de vinho, mas há uma muito boa, dizem cientistas.

Segundo os responsáveis pelo estudo, as conclusões sugerem que tomar doses de suplemento de resveratrol podem ajudar a prevenir problemas cognitivos em pessoas idosas.

Além disso, pesquisas anteriores já demonstraram que a mesma substância é boa para os olhos e para a pele, prevenindo a perda da visão e as rugas.

Fonte: Terra






Simplesmente uma das melhores cervejas de trigo que já tomei. Ela traz aquela leveza do trigo, com uma lúpulo bem suave mas refrescante, e um fundo frutado inigualável - você sente o cítrico mas ele não predomina sobre todo o resto da cerveja. Quanto ao visual, bem... O tradicional tom pálido amarelo da cerveja de trigo com aquele topo de espuma cremosa.





Dá gosto uma boa promoção ou desconto certo? Ainda mais quando uma excelente cerveja de trigo Belga sai dos R$ 15,00 (aproximadamente) para meros R$ 6,50, e ainda por cima aqui nas redondezas!

Ligue o seu Waze, procure um caminho fugindo do trânsito e venha para um Supermercado Hippo (em Florianóplis) levar algumas Hoegaardens de trigo com excelente fundo de frutas cítricas. Não compre muitas, deixe algumas para nos!


Era um dia de experimentar uma cerveja diferente, inusitada, algo que não compraria normalmente. Então estava retornando do trabalho e passo no supermercado, onde me deparei com uma beldade conhecida, uma Guinness, que tinha ao seu lado uma Colônia Negra. Será tão esta brasileira tão pretensiosa assim? Do lado da Irlandesa? E foram as duas, aqui a chance de uma cerveja fora do meu radar.

Experimento: Em casa li o rótulo que dizia que a Colônia era cerveja "tipo", prestem atenção às aspas, Stout. Joguei no copo para cerveja preta e a espuma subir. Ótimo. Bom começo. Porém logo depois disso nada de buquê, lúpulo e frescor do mesmo que é bom nada, e muito açucarada. Para comparar mais ainda que a Caracu.

Simplificando, tirando a cor, espuma e densidade -  não a categorizaria como uma Stout, nem mesmo "tipo"Stout. Vale a pena? Sim, pelo preço, para um dia frio e acompanhar algo bem forte e ácido talvez. Sai por R$ 3,50 uma latinha de 470Ml em Florianópolis.

Como sempre todo Pinot Noir gera grande barulho aqui na Bebideria. Cada um que encontramos temos de comprar, degustar, harmonizar e dar algum veredito. Bem, este Chileno da Cono Sur, o Bicicleta é mais um exemplo de bom vinho de mesa - cai muito bem acompanhando uma refeição ou mesmo como vinho de "combate".

Vamos clarear as idéias, ele tem um corpo transparente, levemente amanteigado e não traz nada de buque, e ao final do palato deixa a impressão de ser "batizado" com corante... É, diria que cai bem para mesa e combate mesmo - ou seja, para beber antes, durante e depois de um jantar, e continuar embalado. Mas que fique claro: é um vinho simples e pode enjoar na terceira taça.

Sai por R$ 25,00 em Florianópolis. TA 12,5%.

Equipe internacional liderada por portugueses identificou a origem de espécie de levedura importante na produção de bebidas alcoólicas. O seu DNA reflete um processo de domesticação.



O berço geográfico da Saccharomyces uvarum foi a Patagônia chilena. Usada na produção de vinho e cidra na Europa viajou primeiro daquela região da América do Sul para a América do Norte e daqui seguiu para o continente europeu.

Através da análise e comparação genética entre estirpes selvagens de Saccharomyces uvarum de todo o mundo e estirpes usadas na indústria, uma equipe internacional liderada por portugueses conseguiu verificar a sua origem geográfica e o resultado da domesticação feita pelo homem, conclui um artigo publicado ontem na edição da revista Nature Communications.

O iogurte, a cerveja ou vinho são substâncias produzidas graças à fermentação feita por bactérias ou leveduras. A partir de farinhas ou açúcares, estes micro-organismos alimentam-se, produzindo substâncias como álcool ou ácido láctico.

No caso do vinho, o processo industrial de fermentação alcoólica recorre normalmente à levedura Saccharomyces cerevisiae. Mas em climas mais frios, onde a fermentação é com temperaturas mais baixas, os produtores vinícolas usam a Saccharomyces uvarum.

Alguns vinhos do País Basco (Espanha), de Verona (Itália) ou da Borgonha (França) usam esta espécie de levedura. Assim como a cidra, uma bebida alcoólica produzida com sumo de maçã. Em Portugal, pensa-se que esta estirpe não é usada, preferindo-se a Saccharomyces cerevisiae.

Além de trabalharem melhor a temperaturas mais baixas, “há compostos aromáticos que as leveduras Saccharomyces uvarum produzem que são superiores aos da Saccharomyces cerevisiae”, explica ao PÚBLICO José Paulo Sampaio, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que liderou a equipa com cientistas da Argentina, dos EUA e de França.

Mas ainda se sabe pouco sobre a origem e a evolução da Saccharomyces uvarum. “O nosso trabalho é procurar as estirpes selvagens para as comparar com as estirpes domésticas e perceber como ocorreu a domesticação”, diz o cientista.

A domesticação de animais ou de vegetais requer a observação e a escolha de seres vivos com certas características consideradas uma mais-valia. Apesar de as leveduras serem microscópicas, observadas só há alguns séculos, José Paulo Sampaio defende à mesma a existência de uma “domesticação”, já que o resultado da atividade das leveduras foi sendo avaliado pelo sabor das bebidas.

“A bebida tem um aspecto sensorial. Os nossos antepassados sabiam dizer: ‘Gosto desta bebida, não gosto daquela.’ Quando uma bebida funcionava, guardavam um bocadinho daquela bebida e usavam-no num novo lote”, diz o cientista.

A equipe fez amostragens de estirpes de Saccharomyces uvarum usadas na indústria na Europa, bem como de estirpes naturais presentes na Europa, na América do Norte e do Sul, na Ásia e na Oceania.

No hemisfério Norte, este fungo encontra-se associado a algumas espécies de carvalhos. No hemisfério Sul, aparece associado a espécies de Nothofagus, um gênero de árvores que nos climas temperados da Patagônia e da Oceania ocupa os mesmos nichos ecológicos que os carvalhos no Norte.

O estudo mostrou a existência de uma grande diversidade genética nas estirpes da Patagônia. Esta diversidade foi decrescendo na América do Norte e na Europa. Através da comparação genética, a equipe concluiu que as estirpes que hoje são usadas na Europa vieram da América do Sul, via América do Norte.

E as estirpes da Oceania são o que resta de um habitat maior, quando a levedura existia no grande supercontinente Gonduana, que há dezenas de milhões de anos se foi partindo na América do Sul, África, Antárctica e Oceania. Não se sabe quando ou como é que a levedura chegou à América do Norte e depois daí até à Europa e à Ásia. Nada indica que o homem tenha tido um papel nesta migração.

“Arriscar-me-ia a dizer que [estas migrações] nos antecederam e que as leveduras têm mecanismos próprios de dispersão que não conhecemos.” Quando é que a Saccharomyces uvarum entrou na produção de vinho é outra incógnita. Segundo o cientista, as amostras mais antigas de Saccharomyces uvarum datam do final do século XIX.

Gene resistente aos sulfitos

Mas os efeitos desta utilização de séculos acabam por se revelar no DNA das leveduras pelas “mutações genéticas”: genes provenientes de outras espécies de leveduras e que aparecem nas estirpes industriais de Saccharomyces uvarum, mas neste caso não se encontram nas da natureza. “Tudo começa com uma hibridação”, explica o cientista: uma célula de levedura de Saccharomyces uvarum cruzou-se ao acaso com uma célula de Saccharomyces eubayanus, usada na produção da cerveja.

O resultado deste cruzamento é uma levedura híbrida, com metade do genoma de cada espécie progenitora. Mas se a nova levedura continuar a cruzar-se só com a Saccharomyces uvarum, o genoma da Saccharomyces eubayanus fica mais diluído até quase desaparecer.

No entanto, alguns genes da Saccharomyces eubayanus podem ser escolhidos e ficar para sempre nas estirpes de Saccharomyces uvarum, como é o caso do gene FZF1. “Este gene é central em muitos mecanismos de resistência aos sulfitos e foi sistematicamente submetido à domesticação.”

Fonte: Publico
“Está frio, vamos abrir um vinho.” Quantas vezes você já disse ou ouviu essa frase, usada para deixar a cerveja na geladeira à espera de dias mais quentes? Pois há cervejas boas de beber no frio – assim como há vinhos que combinam com o calor.

Inclusive, é bom que se saiba, a cevada, base da bebida, cresce bem em lugares frios demais para o cultivo de uvas (leia abaixo). Ou seja, em sua origem, cerveja é de frio. O lance é saber como e quais são as cervejas que combinam com inverno.



Fotos e arte: Fernando Sciarra/Estadão

A primeira palavra-chave é forte. E isso quer dizer mais do que simplesmente alcoólica. O termo forte está ligado à quantidade de açúcar no extrato original da cerveja – o líquido que vai para a fermentação, depois de malte de cevada e água serem fervidos. Na fervura, são liberados os açúcares do grão. Uma parte vira álcool, a outra sobra, e deixa a cerveja adocicada.

Cerveja de inverno é assim: doce, alcoólica e encorpada. O corpo vem da alta carga de malte. Quanto mais grão, mais corpo tem a cerveja, que, na mesma medida, ganha textura cremosa e viscosa – o extremo é a barley wine, que, de tanto malte, chega a ser licorosa.

Além de dulçor, álcool, corpo e textura, cerveja de inverno tem outra característica: a cor, mais escura, na medida em que se usam maltes tostados, que trazem notas de caramelo, café, chocolate e quetais, dando complexidade à bebida.

Escuras, potentes e complexas, as cervejas – avaliadas por mim, Raphael Rodrigues, do Allbeers, e Rene Aduan, beer sommelier, às cegas – fazem par com doces e pratos untuosos. Tudo que combina com frio.

Questão de clima

Enquanto França, Itália, Espanha e Portugal são grandes produtores de vinho, Alemanha, Inglaterra e Bélgica são grandes produtores de cerveja. Não é sem motivo: os três primeiros países estão na latitude ideal para produção de vinhos, entre os paralelos 30 e 45. Para lá de 45° (e até 55°) é frio demais para a parreira. E aí vão bem os grãos – entre eles a cevada. Essa divisão geográfica está na raiz do clichê que define vinho como bebida nobre e cerveja como coisa de gente bronca.

No Império Romano, o vinho era a bebida do mundo civilizado, a favorita do conquistador. E a cerveja era a bebida dos bárbaros.

No divertido livro Cervejas, Birras e Brejas, Maurício Beltramelli, criador da meca cervejeira online, o Brejas.com.br, recorre a Plínio, o Velho (23-79 d.C.) para ilustrar como a bebida à base de grãos era mal vista pelos romanos. “Numa das poucas referências à cerveja no período romano, o historiador Plínio, o Velho, crava esta: ‘a população do oeste da Europa faz uso de um líquido com o qual diariamente se intoxica, feito de grãos e água. (…) É tão notável a astúcia desses povos, seus vícios e apetites, que eles inventaram um método de tornar a própria água intoxicante”.



São as mais leves desta seleção – têm menos álcool e menos corpo. São estilos associados ao inverno, mas combinam com os dias em que o sol espanta o frio intenso, frequentes no inverno tropical



Nova Schin Munich Dunkel
Origem: Itu (SP)
Preço: R$ 2,19 (350 ml)

É animador ver cervejarias convencionais fazendo outros estilos – além da lager clara. É por isso que essa Nova Schin está aqui. Na degustação, porém, quando foi revelado que se tratava de uma munich dunkel, concluímos que ela não atende exatamente à proposta (a munich dunkel é bem maltada, e segundo o guia do BJCP, deve ter entre 4,5% e 5,6% de álcool. Esta tem 4,2%, leva cereais não maltados e corante; sua cor deveria vir do malte). O dulçor, marcante, não tem complexidade. Apesar de ser simples, não é daquelas cervejas que se consegue tomar em quantidade. Funciona como cerveja escura para o calor. Combina com paçoquinha.



Bohemia Escura (Schwarzbier)
Origem: Petrópolis (RJ)
Preço: R$ 2,49 (350 ml)

Tem uma cor bonita, parece uma groselha concentrada, marrom com reflexos avermelhados. No nariz, é pouco expressiva, o que não é em si um problema, é só uma característica da família lager. Na boca, é fácil, ligeira no bom sentido, para tomar sem compromisso num dia de inverno em que o sol apareça mais forte. Parece uma cerveja comum que fez um pouquinho de musculação – tem 5% de álcool, não é puro malte e leva corante. A carbonatação (quantidade de gás) é alta e limpa a boca, o que a torna fácil de combinar com alguns tipos de comida, como frituras. Combina com bolinho caipira (de massa de milho com recheio de carne moída).



Amazon Beer Açaí Stout
Origem: Belém (PA)
Preço: R$ 10 (350 ml)

Stout feita na borda da Floresta Amazônica, combina com a hora do almoço de um dia de frio ensolarado. É uma cerveja de inverno com alma tropical. No copo, é bem preta, fechada, não se vê a luz do outro lado, e tem espuma bem fechada também. Na boca, é bem seca e lembra uma schwarzbier (estilo alemão de cerveja escura e com pouco dulçor). O aspecto tostado é bem forte, quase exagerado, e dá a ela uma cara rústica, um clima de taberna. É boa para combinar com algo untuoso e doce, como bolo floresta negra – para manter o clima de floresta. Foi eleita a melhor cerveja do País no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau.


Mais potentes, sugerem ambientes fechados, clima introspectivo e cobertor de lã sobre o joelho. Têm mais dulçor, para o bem e para o mal



Paulistânia Vermelha Strong Red Lager
Origem: São Paulo (SP)
Preço: R$ 8,99 (600 ml)

Bem bonita, é vermelhona, quase cor de vinho. Tem um maltado sincero, um amargor leve, um corpo razoável. E um quê de caramelo que conforta e faz com que tenha cara de inverno. O álcool (6,2%) é levemente desequilibrado, no final da boca. Mas o desequilíbrio se reequilibra quando se vê o preço: menos de R$ 10 por 600 ml de cerveja boa. As notas de caramelo combinam com crosta tostada e com creme de leite, o que sugere harmonização com filé ao molho mostarda ou estrogonofe. Ou, ainda, com fondue de carne com molho à base de creme de leite.



Caracu
Origem: Rio Claro (SP)
Preço: R$ 2,34 (355 ml)

Chamou a atenção ao ser servida, por sua textura cremosa. O aroma também animou. Mas na boca foi decepcionante. Tem notas de tostado e é bem doce – lembra café adoçado que esfriou na garrafa térmica. Estava levemente oxidada – com um pouco de gosto de papelão. Funciona mais para cozinhar, como ingrediente da receita de fondue de chocolate. Outra que vai bem como ingrediente para essa receita é a Bohemia Chocolatier, que é bem doce (o que pode fazer que ela agrade quem rejeita cerveja por causa do amargor). Combinam, as duas, com flan de baunilha.

Veja três receitas de fondue que levam cerveja:
+ Fondue de carne com cerveja
+ Fondue de chocolate com cerveja
+ Fondue de queijo com cerveja



Fuller’s Golden Pride
Origem: Londres (Reino Unido)
Preço: R$ 26 (500 ml)

Mais clara do que a maior parte das cervejas deste painel, essa barley wine tem algo de Extra Special Bitter e lembra uma imperial IPA. Ou, como definiu Michael Jackson, o escritor que é a grande referência no assunto, “é o conhaque das cervejas”. Tem 8,6% de álcool. Sua cor é âmbar com leve tom rosado. Parece o pôr do sol que antecede a noite mais fria do ano. É excelente, redonda, equilibrada. O corpo, o amargor, o elegante dulçor, tudo permeado por notas terrosas. Combina com backed potato com chili.



Para tomar ao ar livre, naqueles dias de inverno em que o sol convida a sair da toca, mas o vento frio recomenda cachecol e gorro para dar um passeio



Baden Baden Stout
Origem: Campos do Jordão (SP)
Preço: R$ 12,69 (600 ml)

Com o frio em seu DNA, a receita criada em Campos do Jordão faz pensar num dia frio com sol no alto da montanha. Bem escura, com espuma castanha, é uma cerveja cremosa, encorpada, amarga, parruda. O tostado é seu principal atributo: aparece elegante. É comum entre cervejas feitas com maltes tostados, escuros, o amargor ficar muito rústico, cheio de arestas, com notas de cereal queimado mesmo (pense naquele arroz esquecido no fogo). Aqui aparece elegante, trazendo lembranças de café e chocolate. Combina com filé alpino, aquele com molho de queijo gratinado por cima. Melhor ainda se no molho de queijo tiver um queijo azul. Melhor ainda se for stilton.



Ayinger Celebrator
Origem: Aying (Alemanha)
Preço: R$ 21 (355 ml)

Arrancou suspiros, elogios e declarações de amor. Essa doppelbock é cremosa, complexa e gostosa. É, como o nome sugere, uma festa. É a prova líquida de que cerveja combina muito bem com frio. Tradicionalmente, as doppelbocks eram consumidas no fim do inverno, depois de seis meses de maturação – daí vem parte de sua complexidade. Ela é a cara daqueles dias lindos de inverno com sol brilhante e vento cortante. A cor é âmbar escuro com lindos reflexos rubi, tem o dulçor do malte em destaque, com notas de frutas secas e casca de pão. O lúpulo empresta delicadas notas florais e um amargor leve, fino. Combina com tudo e com joelho de porco pururucado.



Paulaner Salvator
Origem: Munique (Alemanha)
Preço: R$ 10,37 (355 ml)

Ela é um ícone. É a primeira receita da Paulaner, cuja história remonta a 1773. Feita pelo irmão Barnabás, mestre cervejeiro do mosteiro, era servida como substituto do alimento durante a Quaresma. Com 7,9% de álcool, imagina a animação dessa Quaresma no mosteiro. A cor é de outono, acobreada, com reflexos âmbar. E, no nariz, é o inverno no campo, monástico e agrário, com notas de casca de pão e de caramelo. Na boca, ela traz em primeiro plano o malte, com dulçor algo compotado, leve tosta, notas de caramelo; enfim, tudo o que se extrai do malte. Em segundo plano, aparecem notas de especiarias e de eleia. O amargor é sutil e passa rápido. Combina com sanduíche de pernil.



Se nevasse, essas seriam as cervejas para a neve. São para as noites frias de verdade. Para servir em taças de licor e apreciar, enquanto o fogo queima na lareira. Mais complexas, mais alcoólicas – e mais caras



Struise Black Albert
Origem: Oostvletere (Bélgica)
Preço: R$ 39 (330 ml)

Tem cor e espuma densas, bem fechadas. Parece que vai ser uma “empireu-stout”, brincadeira que mistura o radical de empireumático (a família de notas de tostado e queimado), com o termo imperial, que define cervejas com carga extra de malte. Mas aí ela começa com frutas maduras, depois café, caramelo e chocolate. Passa pelos aromas tostados, e aparece até um leve toque floral. Tem o dulçor do malte e o amargor do lúpulo. Quase todos os aromas que podem aparecer em uma cerveja estão aqui. Combina com ossobuco com polenta.



Harviestoun Ola Dubh 30th
Origem: Alva (Escócia)
Preço: R$ 69 (330 ml)

Edição especial de aniversário de 30 anos da cervejaria escocesa, essa old ale com 8% de álcool passa seis meses em barril de carvalho usado anteriormente na maturação do uísque single malt Highland Park. É bem escura e parece café. Quase não tem espuma, apenas uma ou outra bolha de contorno castanho. As evidentes notas de madeira fazem pensar em montanha, chalé e lareira. Para quem fuma charuto, essa pode ser uma boa companhia para baforadas. Combina com tâmaras enroladas em fatias de bacon.



Brouwerij De Molen Spanning & Sensatie
Origem: Bodegraven (Holanda)
Preço: R$ 36 (330 ml)

Ela se autodefine como imperial stout-ish, querendo dizer que a inspiração é a stout com carga extra de malte, mas nada seguido à risca. É que, à receita de uma imperial stout comum, acrescenta-se cacau, pimenta chili e sal marinho. O resultado é um inverno engarrafado. Um frio de penhasco à beira-mar. Tem 9,8% de álcool. O primeiro plano é da tosta: aromas de defumado, madeira, café. O segundo é mais caramelo, adocicado. Combina com bolo Souza Leão (feito com mandioca, ovos, leite de coco e açúcar).

Ficaram de fora
Para chegar às doze cervejas desta página provamos 22 amostras – escolhidas com a ajuda do cervejeiro David Michelsohn, da Júpiter. Veja abaixo as que foram deixadas de fora, porque não combinaram com frio ou porque apresentavam defeitos (ligados a armazenamento inadequado e à proximidade do vencimento).

Petra Starkbier
Skol Beats Extreme
Bohemia Chocolatier
Eisenbahn Dunkel
Colorado Berthô
Burgman Working Class
Seasons Limbo
Wäls Quadruppel
Westmalle Dubbel
Adnams Tally-Ho

Fonte: Estadão.
2 de julho de 2014
Por Heloisa Lupinacci