Classificação dos Vinhos Franceses - loucura parte 01

Como todos aqui já sabem, agora estou morando em Paris e logo que cheguei pensei: si vous voulez jouer, à jouer le bas - ou o famoso “quer brincar, desce pro play” (justo não!?). Imaginei que finalmente teria uma seleção de primeira a preços bem razoáveis. Mas, mal sabia que a tal seleção seria “quase” um problema... Porque escolher diretamente do “play” é sim coisa de deus, mas também trabalho. Explico: você pode literalmente se perder nas inúmeras prateleiras que dividem os vinhos franceses segundo cada região que o produz (ok, isso pode ser um ótimo trabalho rs). Mas vamos lá!

Na cápsula dos vinhos franceses existem mais informações do que imagina nossa vã filosofia. Quando me dei conta de que existiam cápsulas bem diferentes umas das outras, mas que se repetiam de alguma maneira – segundo uma cartela de cores e letras - fiquei intrigado em desvendar o mistério.

Para começarmos a entender precisamos saber algumas noções básicas.

Os vinhos daqui são divididos em 2 grandes famílias:

A primeira grande família é a dos VQPRD (vinhos de ótima qualidade produzidos em regiões delimitadas). Nesta família encontramos as famosas garrafas que trazem no nome palavras como “Chateau”, “Maison” e “Clos”. Esta família abrange as cápsulas de siglas:

-AOC (Appellation d’Origine Controlée): nível mais alto da qualificação.

-VDQS (Vin Délimité de Qualité Superieur): nível intermediário na escala de qualidade.

A segunda grande família é representada pelos vinhos do país e os vinhos de mesa.

-Les vin de pays (vinhos do país): categoria superior dos vinhos de mesa. Aqui estão os famosos “Domaine”, por exemplo.

-Les vin de table (vinhos de mesa) que não necessitam trazer em seus rótulos (legalmente falando) nenhuma indicação sobre região geográfica ou variedade de uva utilizada, existindo pouco controle sobra sua produção.

No site www.vignobletiquette.com encontrei esta imagem que explica bem a divisão e participação dos vinhos disponíveis no mercado.

Bom, e como nada por aqui é por acaso, entendida a divisão das famílias encontramos uma subclassificação em que devemos considerar tantas outras informações, mas um ótimo começo é verificar primeiro a COR impressa na cápsula.

Ou traduzido, assim:

Verde = Vinhos AOC e VDQS

Azul = Vinhos do país e vinhos de mesa

Laranja = Vinhos doces e líquores

Amarelo = Cognac e Armagnac

Vermelho = Rum

Branco = Outras bebidas alcóolicas

E depois de verificar a cor, devemos prestar atenção na LETRA grafada entre os números.

Assim:

Letra R = Récoltant

Letra N = Non Récoltant ou Négociant

Letra E = Entrepositaire Agrée

Explico:

A letra R representa a vinícola ou a cooperativa de vinícolas nacionais que controlam toda a produção do vinho. A letra N e E representa os comerciantes que compram vinhos de diferentes produtores e revendem no mercado nacional.

Para quem ficou curioso sobre os números, fica a informação: geralmente o número de 2 dígitos é o número da vinícola e o número maior (3 ou 4 dígitos) é um número administrativo, do distribuidor das cápsulas.

Bom, é um excelente começo sobre vinhos franceses, mas imagino que ainda deve haver a pergunta “What a fuck devo comprar”? Eu respondo: escolha a região que quer iniciar a exploração etílica, mire em uma cápsula verde com um R maiúsculo e seja feliz!!! Essa foi minha aposta e estou rindo a toa. Já encontrei ótimas apostas pela bagatela de 4 euros (sim, é sério)!!! mas se você não se lembrar de nada do que leu e estiver por essas bandas ainda existem 2 caminhos excepcionais:

1. Vocês me convidam para tomarmos 1 taça juntos.

2. Feche os olhos diante da imensidão das prateleiras e aponte uma direção. A chance de cair em roubadas é praticamente zero.

No mais, bon weekend et très bon vins!!!

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