sexta-feira

Douro vai produzir, este ano, cerca de 105 mil pipas de vinho do Porto

A Região Demarcada do Douro vai este ano poder transformar 105 mil pipas (de 550 litros cada) de mosto generoso em vinho do Porto, revelou o Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP).


O presidente do IVDP, Manuel de Novaes Cabral, afirma que "mesmo num momento particular para o Douro, como o que agora se vive, os representantes da produção e do comércio chegaram a acordo, facto que merece ser destacado pela nota positiva que transmite".

O vinho do Porto é um dos produtos portugueses mais exportados. No entanto, para o mercado brasileiro o ano 2014 tem sido de queda nas vendas. Nos primeiros cinco meses deste ano as exportações de vinho do Porto para o Brasil recuaram 12,7%, para 1,37 milhões de euros.

Fonte: Portugal Digital

quinta-feira

As empresas se adaptam ao brasileiro, e nossa cerveja agora será gelada direitinho

Das anotações feitas desde outubro de 2012 emergiu a principal: os brasileiros têm um problema para gelar a cerveja no ponto certo. Na geladeira, a bebida não fica suficientemente fria. No freezer, ela congela. A resposta chegou ao mercado em fevereiro: uma cervejeira capaz de manter a bebida entre -5 e 5 graus Celsius.

“Foi uma solução verdadeiramente local. Daqui para a frente, respostas assim serão cada vez mais frequentes”, diz Vitor Bertoncini, diretor de estratégia e inovação da Whirlpool para a América Latina.

À medida que mercados como China e Brasil ganham relevância, as principais indústrias abandonam o modelo unilateral de inovação, no qual paí­ses ricos criam produtos e os vendem mundo afora. Empresas globais começam a percorrer a rota oposta, na qual a criação ocorre em países emergentes e migra para outros mercados.

Whirlpool: em fevereiro, com base na observação do comportamento de 53 famílias de consumidores no país, a empresa desenvolveu uma cervejeira da marca Consul que mantém a bebida entre -5 e 5 graus Celsius — a temperatura considerada ideal pela maioria deles


É o que o indiano Vijay Govindarajan, professor da escola de negócios Tuck, na Carolina do Norte, chama de “inovação reversa”. No caso da Whirlpool, já há estudos para levar a cervejeira para outros países da América Latina e da Europa. “As matrizes não são mais as únicas protagonistas nesse processo”, diz David Reibstein, professor de marketing da escola de negócios Wharton, na Pensilvânia.

Para tirar o projeto do papel, a Whirlpool dobrou o time de inovação, hoje com 500 integrantes, desde 2012. Com isso, iniciou pela primeira vez as visitas a consumidores brasileiros e pôde dar consistência a um esforço que havia começado como um teste em 2003, com a criação de um filtro de água no país. Além da cervejeira, a Whirlpool lançou em maio outro item 100% brasileiro: um micro-ondas que faz sanduíches no estilo tostex.

Com a intenção de acelerar os resultados, algumas empresas preferem fechar parcerias locais. É o caminho trilhado pela italiana Barilla, líder no mercado de massas com o grão de trigo duro no Brasil. O problema, para a Barilla, é que o consumidor brasileiro prefere outro tipo de macarrão: quase 97% das vendas do produto são de grão tenro.

Entrar nesse segmento, portanto, é o único jeito de ganhar relevância no país,­ terceiro maior mercado da empresa. A saída foi terceirizar a produção de macarrão de grão tenro para a mineira Vilma Alimentos, num processo acompanhado de perto pela matriz.

O próprio Guido Barilla, presidente e membro da quarta geração da família fundadora, visitou consumidores brasileiros antes de criar a primeira receita local da companhia em 136 anos de história. “Já temos 7% das vendas de massa mole nas capitais do Sudeste e do Sul”, diz Maurízio Scarpa, presidente da Barilla no Brasil. Nos últimos 12 meses, as vendas no país aumentaram 65%.

Em alguns casos, ouvir o cliente local pode dar fôlego a uma categoria em declínio. Para reanimar o mercado de rum, que encolheu 10% desde 2008, a fabricante francesa de bebidas Pernod Ricard lançou em abril deste ano o Montilla Esquente - Mel e Limão, a primeira alteração no produto à venda no país desde 1950.

A ideia é agradar aos jovens que misturam Montilla com refrigerante para quebrar o sabor amargo. Esses consumidores queriam algo já pronto para beber. A bebida chegou a Recife e Fortaleza e estará em todo o país até dezembro. “Ouvir mais o cliente brasileiro é o único jeito de crescer”, diz Patricia Cardoso, gerente de marketing da Pernod Ricard.

quarta-feira


O sertão produz vinho, sim senhor. O Polo Vitivinícola do Vale do São Francisco, que reúne sete vinícolas entre o Sertão de Pernambuco e o Norte da Bahia, tornou essa área – em plena Caatinga – a segunda maior produtora de vinhos, espumantes e sucos naturais de uva no Brasil.
"O Instituto tem buscado sempre melhorar os nossos vinhos e toda a produção vinícola em nossa região, pesquisando novas variedades, trazendo especialistas e firmando parceria com instituições como a Embrapa Uva e Vinho, que fica no Sul do Brasil. Tudo que vem se destacando em nossa região produtora foi fruto de muita pesquisa e de muito trabalho. Hoje somos respeitados e reconhecidos nesse mercado", garante José Gualberto.

O Polo Vitivinícola do Vale do São Francisco,  em plena Caatinga,  reúne sete vinícolas entre o Sertão de Pernambuco e o Norte da Bahia e é a segunda maior produtora de vinhos, espumantes e sucos naturais de uva no Brasil – Crédito da foto: Cássio Moreira/Codevasf
O polo ocupa uma área de mais de 10 mil hectares entre os municípios pernambucanos de Lagoa Grande (a capital da uva e do vinho do Nordeste) e Santa Maria da Boa Vista (que sedia a vinícola pioneira no negócio), além de Casa Nova (cidade baiana que incrementou o enoturismo na região).

Responsável por 99% da uva de mesa exportada pelo Brasil e pela produção de 7 milhões de litros de vinho por ano, o vale vem se destacando como modelo de desenvolvimento para o Nordeste.

A vinicultura pernambucana/baiana já detém 15% do mercado nacional e emprega diretamente 30 mil pessoas na única região do mundo que produz duas safras e meia por ano.

"Isto se deve em grande parte à particularidade do clima do Vale do São Francisco, que se resume, de forma genérica, às seguintes características: 300 dias de sol por ano, temperatura média alta durante todo o ano (o que permite o contínuo desenvolvimento da planta), pluviosidade muito baixa e água para irrigação abundante graças ao 'Velho Chico'. Todos estes fatores combinados permitem que a planta se desenvolva durante todo o ano, não estando condicionada à sazonalidade como em outras regiões tradicionais no mundo", explica o enólogo português Ricardo Henriques.

Segundo dados do site especializado Academia do Vinho, o Vale do São Francisco abrange 500 hectares de áreas de uvas viníferas, 7 mil hectares de áreas de uvas comuns e 7,5 mil hectares de vinhedos. Entre as variedades tintas, destacam-se Syrah e Cabernet Sauvignon; entre as brancas, Moscatel, Muskadel, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Silvaner e Moscato Canelli.

A produção atual da região é da ordem de 7 milhões de litros ao ano e aumenta entre 5% e 10% ao ano desde 2001, segundo José Gualberto Almeida, presidente do Instituto do Vinho do Vale do São Francisco. "O crescimento decorre de novos pomares que estão sendo implantados, fruto de pesquisas feitas pela Embrapa, com apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do governo de Pernambuco, por meio do Itep (Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco), e dos produtores, por meio do Instituto do Vinho", afirma Almeida.

Em fevereiro de 2006, na Unidade da Embrapa Semiárido em Petrolina (PE), foi inaugurado um Laboratório de Enologia com tecnologia para ser um dos mais modernos do País. O objetivo é empreender análises dos vinhos da região com monitoramento da qualidade e certificação da procedência do que é produzido no Vale do São Francisco. O investimento inicial da Finep e Embrapa foi de R$ 1,4 milhão. No mesmo ano, foi assinado convênio entre as instituições, no valor de R$ 795 mil, para implantação de vinhedos que pudessem servir de base para selecionar e divulgar novos cultivares, permitindo o desenvolvimento da pesquisa de novos vinhos com características peculiares da região.

vinho 1 - Entre as variedades já testadas, a uva espanhola Tempranillo foi a que apresentou melhores resultados. Outra aposta é a francesa Petit Verdot, que costuma ser usada numa proporção de no máximo 5% nas combinações com outras uvas, mas foi testada em um vinho varietal – que usa de 70% a 100% de apenas um tipo de uva. A terceira indicação é a italiana Barbera, do Piemonte. Todas estão em testes em vinícolas locais. Até agora, a uva que melhor tinha se adaptado à região era a Syrah.

Restam algumas dificuldades para os produtores, a começar pela resistência do público interno em relação a produtos nacionais. "O brasileiro prefere beber um vinho ruim chileno ou argentino a beber um bom vinho nacional", conta o português João Santos, diretor técnico da Vinibrasil, há cinco anos no País.
Burocracia, falta de logística e de materiais de qualidade no mercado nacional (como rolhas e garrafas, por exemplo), gasto com frete e importações são outros problemas na competitividade do vinho nacional, além dos altos impostos que fazem com que os importados do Mercosul acabem chegando com preços menores que os nacionais. "Vinho cria empregos e identidade para a região e o Brasil precisa explorar isso melhor", diz João Santos.

As vinícolas do Vale
A Vinícola Vinibrasil, situada em Lagoa Grande, está no polo produtor desde 2002. Possui grande aceitação entre os apreciadores da bebida e as marcas Paralelo 8, top com premiações internacionais, e os espumantes Rio Sol são carro-chefe entre os rótulos da indústria. A sede da vinícola serviu de cenário para as principais cenas da minissérie Amores Roubados, da Rede Globo, exibida em janeiro, onde o ator Cauã Raymond viveu um sommelier ousado e conquistador.

"Foi bastante positiva para nós a exibição da minissérie. Isso permitiu um maior interesse para os que não conhecem e querem ver de perto como o semiárido nordestino consegue produzir vinhos finos e espumantes de padrão internacional, já que possui uma vantagem sobre o Sul do País que é dispor de duas safras e meia por ano. Isso permite uma produção maior, com vinhos jovens de grande aceitação no mercado", disse o diretor administrativo da Vinibrasil, André Arruda.

Dos cerca de 7 milhões de litros produzidos por ano, a Vinibrasil é responsável por aproximadamente 1,5 milhão de litros. Além do Rio Sol e do Paralelo 8, a Vinibrasil disponibiliza para o mercado as marcas Rendeiras, Adega do Vale, Vinhamaria e o frisante Bliss. A indústria gera 110 empregos diretos e 250 indiretos. "Temos um receptivo turístico na fazenda em que o visitante pode conhecer todo o processo de produção de vinhos e inclusive almoçar na sede e passear de barco no rio São Francisco, além de degustar um bom vinho ou espumante", conta João Santos. A vinícola recebe uma média de mil visitas ao mês e o pacote completo custa R$ 130.

Em Casa Nova, no Norte baiano, o polo produtor de vinhos do vale são-franciscano tem na Vinicola Miolo excelência em produzir marcas tradicionais, como Terranova, e a conceituada entre os amantes do vinho, Testadi tinto. A vinícola produz anualmente 2 milhões de litros entre vinhos e espumantes e gera 150 empregos diretos.

O turismo do vinho vem cada vez mais tomando corpo na Fazenda Ouro Verde, sede da Miolo em Casa Nova. O grupo lançou, há cerca de dois anos, o 'Vapor do Vinho', um agradável passeio pelo rio São Francisco passando pela barragem de Sobradinho (BA) até chegar nas terras férteis das vinhas que fazem os vinhos conhecidos internacionalmente. O grupo Miolo trabalha com 11 marcas.

Pioneiro em produzir uva e vinho do Sertão pernambucano, o empresário e hoje vice-prefeito de Santa Maria da Boa Vista, José Gualberto Almeida, é um otimista. Ele sabe que muito caminho ainda será percorrido para que a região esteja consolidada no mercado vinícola nacional e mundial e como destino do enoturismo no País.

vinho 2 - "Uma região vinícola leva tempo para se firmar. Nos grandes centros produtores, varia de 50 a 100 anos. Nós estamos evoluindo bem. A nossa marca, vinhos Botticelli, é pioneira. Estamos no mercado há 28 anos e sempre buscando evoluir", observou Gualberto, que também preside o Instituto de Vinhos do Vale do São Francisco (Vinhovasf).

A região ainda tem as vinícolas Biachetti e Garziera. A primeira tem focado em produzir vinho fino orgânico. Já a última é pioneira no receptivo turístico do vinho e na produção de suco natural de uva com a marca Sol do Sertão. O seu fundador, o enólogo Jorge Garziera, foi o primeiro a trazer uva para o vale do São Francisco e foi em sua segunda gestão, em 2001, que o Polo Vitivinicola do Vale do São Francisco foi criado oficialmente.

Mais resveratrol
O diretor da Vinibrasil, André Arruda, destacou outro ponto que traz vantagem aos vinhos produzidos no Vale do São Francisco. "Nossas vinhas da variedade Syrah para tintos produzem cinco vezes mais resveratrol que em outras regiões tradicionais produtoras do mundo. Já foi comprovado que essa substância faz muito bem a nossa saúde", revelou.

Ele conta que pesquisas já comprovaram os benefícios do resveratrol ao organismo humano. O resveratrol está presente em uvas para vinhos tintos. O seu uso permite combater, entre outros danos, o mau colesterol, o envelhecimento, além de ser bom para a memória e ajudar no funcionamento do coração.

"A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda o consumo de uma taça de vinho tinto por dia. Então vinho não é apenas bebida, é alimento e faz bem à saúde. Isso torna o produto ainda mais especial na nossa região", aponta.

Fonte: Imprensa | Codevasf