Quando o assunto é cerveja, as discussões são das mais acaloradas. Todo apreciador tem sua marca favorita e a defende com quase o mesmo fervor e entusiasmo de um torcedor de futebol. Cerveja no Brasil é coisa séria. Foi pensando nisso que, pela primeira vez na revista, tivemos a ousadia de promover uma grande degustação do tipo mais popular consumido no país, as Pilsen, e eleger as melhores em qualidade.

Para que tudo ocorresse da melhor maneira possível, adotamos alguns critérios. Primeiro, pesquisamos quais eram as marcas mais facilmente encontradas nos supermercados. Feita a seleção, fomos às compras. Respeitando os prazos de validade de cada marca, adquirimos todas as amostras a ser degustadas e, por meio de sorteio definimos a ordem em que seriam apresentadas aos jurados. Apenas duas pessoas de nossa equipe, que, claro, não participaram da prova, sabiam a ordem das garrafas. Foram 21 marcas, que demandaram cerca de 2 horas de degustação.

A grande campeã para nosso júri foi a Heineken, que recebeu as notas mais altas. Vale lembrar que, antes de ser feita a média das avaliações dos jurados, eliminamos o maior e o menor valor aferido a cada marca. Na sequência, até o sexto lugar, temos cervejas que se destacaram e que formam um grupo separado das demais amostras degustadas. Pela ordem, são elas: Eisenbahn Pilsen, Kirin Ichiban, Therezópolis Gold, Saint Bier e Way. Todas apresentaram, além de notas altas, comentários positivos dos degustadores. As demais amostras, como tiveram notas praticamente iguais, com diferenças de décimos, formaram grupos (leia o quadro).

O estilo pilsen
As cervejas do tipo Pilsen são as mais consumidas em todo o mundo. Relativamente jovens na história da cerveja no mundo – que conta com relatos de sua existência desde aproximadamente 6000 a.C. –, o estilo surgiu em 1842 na cidade de Pilsen, na República Checa, e rapidamente caiu no gosto do consumidor. Alguns fatores justificam esse sucesso. Até então as cervejas eram mais escuras, turvas e mais complexas. As Pilsen surgem como uma opção mais leve, fácil de beber e com uma bela cor dourada e brilhante.

O Brasil segue a tendência mundial de mercado, tendo-a como a cerveja mais consumida. Porém, especialistas alertam que o que o consumidor bebe como Pilsen no país, na verdade, é uma variação do estilo, diferente do que os guias técnicos mostram e de como a cerveja é oferecida em países tradicionais. As principais diferenças estão no amargor, bem mais baixo nas versões nacionais, e no uso de cereais não maltados, como milho e arroz, em sua fórmula, ao contrário das tradicionais, que usam apenas malte de cevada. Conservantes e estabilizantes também aparecem em algumas versões, o que não acontece nas que seguem a receita original.

O ponto mais polêmico é a temperatura de serviço. No Brasil, a regra do “estupidamente gelada” é levada à risca. Sabe-se que, apesar do clima tropical, essa é uma estratégia apresentada pela indústria para mascarar eventuais defeitos ou até mesmo atributos negativos no sabor, já que o frio inibe a ação de nossas papilas gustativas. Além disso, a maioria das marcas nacionais, como mostrou nossa degustação, são bastante similares entre si.

Umas das questões que mais influenciam na qualidade da cerveja Pilsen servida no copo é seu frescor. Quanto mais perto da data de fabricação, melhor tende a ser a cerveja. Isso porque o estilo é bastante frágil a variações de temperatura, trepidações, luz, entre outros fatores. Portanto, em geral, quanto mais jovens, melhor.
Para nosso tira-teima, as cervejas foram adquiridas na forma que estão disponíveis para o consumidor comum, direto das gôndolas. Todas as amostras compradas estavam dentro da data de validade apontada pelo fabricante, e nenhuma delas com menos de um mês da data final. No evento Ao Vivo, convidamos consumidores presentes, e alguns especialistas, a degustar as cervejas às cegas, em ordem aleatória sorteada pela revista.

A ideia de misturar consumidores e especialistas tinha como objetivo entender a percepção de duas frentes distintas. A primeira surpresa na tabulação das notas foi que ambos seguiram a mesma linha, com pequenas variações entre as preferências.

O júri de especialistas foi formado por: Estácio Rodrigues, Instituto da Cerveja; Raphael Rodrigues, site allbeers.com.br; Luis Celso Jr., blog bardocelso.com; Marcos Nogueira, blog bardonogueira.com; Miguel Icassatti, de Men’s Health; Paulo Almeida, do Empório Alto dos Pinheiros e Larissa Januário, do blog semmedida.com.





Foto: Jean Pierre Muller/AFP

Hotel de luxo fica ao lado de vinícola premiada no sul do país.
Massagens e terapias são à base de uva e vinho.

Foto: Jean Pierre Muller/AFP

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Hóspedes de um hotel de luxo próximo a uma vinícola no sul da França podem provar as uvas plantadas na região não só tomando vinho, mas sentindo-as na própria pele.

O "Les sources de Caudalie", na cidade de Martillac, tem um spa temático em que todos os produtos são à base da fruta. Eles são desenvolvidos pelo laboratório Caudalie, que afirma utilizar pesquisas da Universidade de Bordeaux para criar os cosméticos.

Entre as opções, há massagens os cremes feitos com vinho e um tratamento para a pele com sementes de uva.

O cliente também pode beber vinho enquanto relaxa em um dos banhos de ofurô.


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O hotel oferece ainda degustações e passeios à vinícola Chatêau de Smith Haut Laffite, de onde vem a bebida servida lá.

No Brasil, a marca tem um franqueado, o Spa do Vinho Caudalie. Localizado em Bento Gonçalves, no Vale dos Vinhedos do Rio Grande do Sul, o local também oferece tratamentos nessa linha de "vinoterapia".

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 Em uma cidade fria como Curitiba, trocar a tradicional cerveja pelo vinho não é uma opção que parece de todo inusitada. Foi desta forma que pensou Junior Durski em 2006, quando, motivado por uma “fatalidade”, resolveu criar a sua própria adega e fazer dela referência nacional no segmento.

Durski confessa que até pouco antes da abertura do negócio era fã apenas de cerveja e vodka. “Até que um dia acabei indo a uma adega e comprei vinhos, mas comprei todos errados”, relembra Júnior, que é chef de cozinha dos restaurantes Durski e Madero. Os R$ 20 mil investidos de forma equivocada foram o combustível para que Durski começasse a estudar sobre o assunto. “Pensei ‘agora então vou ter que acertar a minha compra’, quando eu resolvi fazer uma carta de vinhos sem entender fiz uma bobagem”.

O que começou como estudo, logo passou a ser paixão. “Muito rapidamente eu vi que vinho é muito melhor do que cerveja e vodka, que eu nunca mais tomei. Fui me apaixonando cada vez mais pelo negócio”. E como todo apaixonado, o chefe não mediu esforços para montar sua adega. São cerca de 2.400 rótulos de países de todas as partes do mundo, e uma estrutura de três andares, blindada, que armazena as bebidas de acordo como convém a cada uma. “Eu tenho isso em mim, de fazer bem feito e fazer grande”, avalia.

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Alguns rótulos se destacam entre toda essa variedade, seja pela safra, preço, qualidade, ou história. O vinho mais longevo da adega Durski é um Taylor’s Scion, um Vinho do Porto que data de 1850, e custa R$ 26 mil. “Apesar de ser de 1850, ele foi engarrafado no ano passado. Essa vinícola comprou uma outra, em Portugal, e quando eles foram reformar viram no fundo de uma parede falsa dois barris de vinho. Experimentaram e o vinho estava maravilhoso, porque estava dentro daquele ambiente, decerto por conta das guerras”, contou Júnior.

Apesar de este exemplar estar em boa forma, Durski alerta que a máxima “quanto mais velho o vinho, melhor” é apenas mito. A qualidade da bebida depende de uma série de variáveis, como a safra, se ele está pronto para o consumo, se ele vai evoluir mais. Ele lembra de uma situação em que um produtor francês lançou um desafio a Durski e outros 15 especialistas – diferenciar, na taça, qual vinho era vendido por € 6, e qual era vendido por € 600. O mais barato foi escolhido pela grande maioria. “Ele estava em um momento melhor, estava no auge. O outro ia precisar de mais 10 anos para chegar lá. Ele vai evoluir e vai se tornar um vinho fantástico em 2020”, assegurou. Esse auge, segundo Durski, dura entre dois e três anos.

A adega comporta alguns vinhos de valor bastante elevado. Para sair do estabelecimento levando um Château D’Yquem produzido em 1904, o mais caro do local, o cliente terá de desembolsar a quantia de R$ 36 mil. De acordo como chefe, esse é um valor praticamente hipotético, já que ele nunca vendeu um vinho nessa faixa de preço. “Não é nem 0,1% (do total de venda), é 0% mesmo)”. Durski explica que mantém esses vinhos por ser um colecionador, para ter uma carta de vinhos de qualidade, e também por considerar como um investimento.

“Vinhos desse tipo têm valorização comparável à da Bolsa de Valores, ouro, e coisas do tipo. Esse Château D’Yquem, por exemplo, tem poucas garrafas no mundo, e todo ano alguém se emociona e acaba tomando uma, isso valoriza”, conta Durski, sustentando que também há o contra-peso da falta de liquidez. “Se eu resolver vender hoje não vende, é igual obra de arte”, afirmou. Ele também acredita que se a carta de vinhos possui essas opções, instiga automaticamente as pessoas a consumirem uma bebida um pouco mais cara.

Para quem prefere não gastar tanto em um vinho, a adega também oferece garrafas a preços mais acessíveis, como o argentino Alamos Malbec, safra 2009, que é vendido por R$ 45. Também são opções as meia-garrafas, e 1/4 de garrafa. A carta completa pode ser acessada no site do Durski.

Turismo
Com tantas opções, a adega Durski virou um centro de referência sobre o assunto em Curitiba, e também no Brasil. Com prêmios nacionais no currículo, o estabelecimento recebe constantemente visita de especialistas, colecionadores e interessados. Durski conta que médicos de todo o mundo vão conhecer o local.

Dentre as visitas ilustres, Durski se lembra de uma passagem do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, já depois de ter deixado o cargo. “Um dia estávamos eu e ele na adega conversando sobre vinhos, aí ele pegou um Romanée-Conti de 1978 e falou: ‘Júnior, esse vinho aqui é fantástico’. Eu respondi: ‘Diga que vai ser candidato a presidente de novo que eu abro a garrafa’.”

Futuro
Durski não planeja uma expansão da adega, mesmo porque não existe nenhuma premiação para a maior variedade de rótulos, o que o motivaria. O objetivo agora é mantê-la atualizada com as novas safras que entram no mercado. “Eu não sossego, se eu posso fazer melhor, eu vou fazer melhor”, finalizou.

Serviço
A adega Durski fica na Avenida Jaime Reis, 254, centro de Curitiba
(41) 3225-7893

O Restaurante Durski abre de terça a quinta-feira, das 19h45 às 23h. Sextas e sábado das 18h45 às 23h30.
(41) 3225-7893

O Restaurante Madero Prime abre de segunda a quinta-feira, das 12h às 14h30 e das 19h45 às 23h. Nas sextas das 12h às 14h30 e de 19h45 à meia-noite. Aos sábados das 12h às 15h30 e das 19h45 à meia-noite. Domingos das 12h às 22h.
(41) 3013-2300
Foto: Divulgação/Sklárna

Segundo o estabelecimento, bebida amacia e regenera a pele.
Banheira com água quente recebe 5 litros da bebida.
Turistas que quiserem mergulhar (literalmente) na cultura cervejeira da República Tcheca podem não só experimentar as muitas variedades da bebida no país, mas procurar um dos “beer spas” (spa de cerveja) que atraem muitos estrangeiros.

Um deles fica no Sklárna, um complexo na cidade de Harrachov que reúne fábrica de cristal, cervejaria, museu e um balneário dedicado à bebida.

Foto: Divulgação/Sklárna
O banho é preparado com "água da montanha" aquecida a 36°C, à qual são adicionados 5 litros de cerveja, tanto clara quanto escura, não filtrada e não pasteurizada. A água também recebe lúpulo, que, segundo o site, atua como um antibiótico natural.

De acordo com o spa, a cerveja tem “efeito rejuvenescedor” para a pele, pois possui vitaminas do complexo B, proteínas e sais minerais que a deixam macia e regenerada.

O banho de 30 minutos, seguido por mais 30 de relaxamento e com direito a duas cervejas (essas para beber) custa R$ 80 para uma pessoa e R$ 150 para o casal, em banheira dupla.